Bolsonaro se reúne com Ciro Nogueira e deve selar reforma ministerial

O encontro estava previsto para esta segunda (26), mas precisou ser adiado devido a um problema no voo que trazia o parlamentar do México para o Brasil

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) se reúnem nesta terça-feira (27) em Brasília a fim de selar os termos da reforma na composição dos ministérios. A expectativa é que o parlamentar, presidente nacional do Progressistas e um dos líderes do Centrão, seja confirmado como ministro-chefe da Casa Civil.

O encontro estava previsto para esta segunda (26), mas precisou ser adiado devido a um problema no voo que trazia Nogueira do México para o Brasil. Com o adiamento, pessoas próximas ao presidente aconselham que o senador seja convidado para um outro posto, como a Secretaria de Governo (Segov).

A alternativa, que levaria a atual ministra da Segov, Flávia Arruda, para a Casa Civil, é vista com ressalvas, porque daria um peso político menor a Ciro Nogueira. O presidente do PP e líder do Centrão quer assumir a Casa Civil, com aval político para negociações com o Congresso e com o Judiciário.

Ainda como parte dessa reforma, o general Luiz Eduardo Ramos, desalojado da Casa Civil, assumiria a Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Onyx Lorenzoni. Lorenzoni assumiria uma versão recriada da pasta do Trabalho, sob o nome do Ministério do Emprego e Previdência.

Articulação política

Com a possível nomeação, Ciro Nogueira terá, à frente da Casa Civil, de conduzir o mal-estar com a base diante da possibilidade de veto do fundão; aprovar o projeto que viabiliza a privatização dos Correios, cujo prazo acaba em agosto, e reduzir os danos da CPI da Pandemia para o governo.

Além disso, em conversas reservadas, relatadas à CNN, o presidente se queixou de movimentos recentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo contra a proposta do voto impresso, e destacou que a entrada do senador no governo deve abrir um novo canal de diálogo com a Suprema Corte.

Além de ser conhecido por ser um hábil articulador político, Ciro Nogueira construiu, nos últimos anos, uma relação de proximidade com ministros do Poder Judiciário, como Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Além disso, o presidente nacional do PP é considerado um dos padrinhos da indicação de seu conterrâneo Nunes Marques para a vaga de Celso de Mello, em outubro do ano passado.

As conversas entre o chefe do Executivo e o homem-forte do Centrão, no entanto, não devem ficar concentradas apenas na nomeação do senador. Há a previsão de que Bolsonaro e Ciro Nogueira também desenhem e articulem o projeto de reforma ministerial.

Reforma ministerial

Com a possível troca na Casa Civil, o atual titular da pasta, Luiz Eduardo Ramos, deve assumir a Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Onyx Lorenzoni.

À Onyx teria sido prometido um novo ministério, fruto de um possível desmembramento da pasta da Economia que levaria à criação de um novo Ministério do Emprego e Previdência.

Embora a expectativa seja essa, aliados do presidente já fizeram e refizeram o desenho da reforma ministerial que o governo federal deve anunciar nesta terça.

Bolsonaro foi aconselhado por auxiliares do primeiro escalão a acomodar o presidente nacional do PP na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, e hoje ocupada pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF).

A mudança sugerida tem uma razão: a disputa entre Ciro e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ambos do PP, e que travam uma queda de braço antiga por protagonismo.

No Palácio do Planalto, no entanto, a alternativa enfrenta resistências. A avaliação é de que a troca da Casa Civil pela Secretaria de Governo daria peso menor do que o pretendido a Ciro. Neste novo desenho, Arruda assumiria a Casa Civil. Procurada pela CNN, a ministra refutou essa possibilidade.

No final de semana, às vésperas do encontro entre Ciro e Bolsonaro, auxiliares presidenciais também defendiam que Rogério Marinho, ministro de Desenvolvimento Regional, assumisse a Secretaria de Governo, enquanto Arruda seria deslocada para Meio Ambiente.

Recriação do Ministério do Planejamento

Desde que seu nome começou a ser cotado para assumir a Casa Civil, o senador Ciro Nogueira tem ligado para deputados e senadores para conversar sobre o futuro da relação entre o Executivo e o Legislativo, caso se concretize a ida para o governo federal.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, o parlamentar tem prometido ajudar na recriação do Ministério do Planejamento, pasta que controlava o orçamento até ser extinta no início do governo Bolsonaro e ser absorvida pela Secretaria Especial de Fazenda, ligada ao Ministério da Economia.

De acordo com esses interlocutores, a ideia é que a nova pasta saia do papel até o fim de 2021. Entre os partidos que pressionam para a recriação do ministério estariam PP, PL, Republicanos e Solidariedade. A intenção seria trazer novamente a pasta à ativa em um ano eleitoral e dar o comando a um parlamentar do Centrão.

Filiação ao Progressistas

Sem partido desde 2019, Bolsonaro revelou recentemente que há a possibilidade que ele se filie ao Progressistas para concorrer nas eleições de 2022. 

“Tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu. E se for disputar a presidência, [é preciso] ter o domínio do partido, e está difícil, quase impossível. Então o PP passar a ser uma possibilidade de filiação nossa”, disse Bolsonaro em entrevista à rádio 92.1 FM, do Mato Grosso do Sul, na última sexta-feira (23).

O possível retorno do presidente ao PP, porém, provoca desconfianças em lideranças da sigla. Ouvidos de forma reservada pela CNN, parlamentares pontuam que o líder do Executivo tem demonstrado intenção de controlar as siglas com as quais tem negociado aderir.

A conduta de Bolsonaro já rachou o partido pelo qual ele se elegeu, o PSL, e o Patriota, ao qual tentou se filiar. No entanto, o PP é conhecido por desprezar dogmas e ter um grande alinhamento entre os seus integrantes, até na discrição.

Com informações de Basília Rodrigues, Bárbara Baião, Larissa Rodrigues e Gustavo Uribe, da CNN, em Brasília*

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