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    Brasileiro sequestrado no Equador: Embaixada diz que caso não deve ter relação com ataques de narcotraficantes

    Thiago Allan Freitas foi sequestrado ao sair para visitar uma loja de carros usados, segundo o conselheiro Afonso Nery

    Douglas Portoda CNN São Paulo

    O sequestro do brasileiro Thiago Allan Freitas não deve ter relação com a onda de violência que o Equador enfrenta, disse o conselheiro da Embaixada do Brasil em Quito, Afonso Nery, nesta quarta-feira (10), em entrevista à CNN.

    Nós estamos desde a tarde de ontem em contato com a família do sequestrado. Primeiro, não nos parece que o sequestro tenha nenhuma ligação com essa violência de três dias em todo o país, que está sendo feita pelos narcotraficantes após a fuga de dois deles das penitenciárias equatorianas

    Afonso Nery

    Sequestro em ida a loja

    De acordo com o conselheiro, o sequestro de Freitas aconteceu “quando ele saiu para visitar uma loja de carros usados”.

    “Houve um silêncio muito longo, quando, de repente, o filho recebe uma ligação do telefone do pai, mas o pai estava com os olhos vendados e as mãos amarradas dizendo que havia sido sequestrado e os sequestradores pediam um resgate”, prosseguiu.

    Nery diz que o resgate era de um valor, e após uma conversa do filho com os sequestradores, ficou pela metade.

    “O filho, então, entrou nas redes sociais como uma espécie de vaquinha e conseguiu arrecadar um montante ainda longe daquela metade da qual os sequestradores haviam concordado”, explica.

    A última notícia sobre o assunto foi recebida pela embaixada durante a manhã de hoje. “A ex-mulher do sequestrado esteve na delegacia em Guayaquil, onde vivem, e a delegacia pediu que se parasse de publicar e de se falar sobre o tema nas redes sociais”, conta Nery.

    “Os sequestradores parecem inábeis quando deram números de duas contas de bancos em Guayaquil na qual deveria ser depositado o pedido de resgate”, prossegue.

    Na opinião do conselheiro, o silêncio sobre o assunto por parte da família acontece por respeito ao pedido das autoridades locais.

    Veja imagens de Thiago Allan Freitas:

    Perfil

    Nascido em São Paulo, Thiago tem 38 anos e vive no Equador há três. Antes de se mudar para Guayaquil, ele morou em Quito, capital do país, por um ano. No Brasil, ele também residiu em Balneário Camboriú (SC).

    Thiago é dono da churrascaria La Brasa, que funciona em um espaço gastronômico de Guayaquil. Nas redes sociais, o restaurante diz oferecer “o melhor do churrasco brasileiro”.

    Inicialmente, a churrascaria funcionava somente por delivery ou fazendo eventos contratados. A loja física no Bamboo Plaza foi aberta em outubro do ano passado. A decoração do espaço remete ao Brasil, com fotos de paisagens brasileiras na parede. Os funcionários usam roupas amarelas, em alusão ao uniforme da Seleção.

    Além dos cortes e preparos típicos dos churrascos brasileiros, o restaurante oferece outros itens que fazem sucesso por aqui, como o pão de alho e a caipirinha.

    Na capital paulista, Thiago teve uma empresa aberta em setembro de 2017 na modalidade empreendedor individual cuja atividade registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo era “comércio varejista ambulante de produtos alimentícios prontos para o consumo”.

    Entenda a crise no Equador

    A onda de violência no Equador teve início depois de um dos líderes do grupo criminoso Los Choneros ter fugido de uma prisão em Guayaquil.

    Na tarde de terça-feira, um grupo de homens encapuzados e armados invadiu as instalações do canal TC Televisión, de Guayaquil. A invasão foi capturada pela transmissão ao vivo, que mostrou funcionários sendo obrigados a se deitarem no chão. Foi possível ouvir tiros e gritos.

    Segundo o governo do Equador, mais de 130 agentes penitenciários e outros funcionários são mantidos como reféns por detentos, nesta quarta-feira (10), em pelo menos cinco prisões do país.

    Na noite de terça, o presidente Daniel Noboa decretou a existência de um “conflito armado interno” no país.

    No texto do decreto, o governo qualifica como “terroristas e atores não estatais beligerantes” 22 organizações. Na lista estão Águias, ÁguilasKiller, AK47, Cavaleiros Escuros, ChoneKiller, Choneros, Covicheros, Quartel das Feias, Cubanos, Fatales, Gánster, Kater Piler, Lagartos, Latin Kings, Lobos, Los p.27, Los Tubarões, Mafia 18, Mafia Trébol, Patrones, R7 e Tiguerones.