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    Representante da Davati é mentor do esquema e deve depor, diz Omar Aziz

    Para presidente da CPI da Pandemia, Cristiano Carvalho teria induzido Dominghetti a apresentar áudio de Luis Miranda aos senadores

    Gregory Prudenciano e Thais Arbex, da CNN, em São Paulo e em Brasília

    Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (1º), o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o representante da Davati Medical Supply, Cristiano Alberto Carvalho, foi o “mentor” das denúncias de corrupção apresentadas pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti contra Roberto Dias, agora ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. 

    Para Aziz, Cristiano também cometeu um crime por ter supostamente induzido Dominghetti a apresentar um áudio aos senadores da CPI em que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) aparece negociando uma mercadoria não especificada, que Dominghetti interpretou como sendo vacinas, mas era, na verdade, luvas, de acordo com o deputado e com o próprio Cristiano. 

    “O grande mentor disso tudo, de ele [Dominghetti] dar entrevista, dele falar sobre o dólar [de propina por dose de vacina da AstraZeneca], se chama Cristiano, que é representante da Davati no Brasil. Esse cidadão tem que depor na CPI”, argumentou o senador.

    Durante seu depoimento, Dominghetti, que teria feito negociações com membros do Ministério da Saúde como representante comercial da Davati, afirmou que Roberto Dias condicionou a compra de doses da AstraZeneca que estariam em posse da Davati ao pagamento de US$ 1 (um dólar) por dose, em um pacote de até 400 milhões de unidades. 

    De acordo com Aziz, Cristiano seria de valido de Dominghetti, “um homem humilde”, pare tentar vender vacinas que “não existem” e também para tentar atrapalhar as investigações e atingir Luis Miranda, o que explicaria o áudio do deputado enviado por Cristiano a Dominghetti e que foi exibido na CPI, fora de contexto e, segundo Aziz, editado. 

    “Eu até entendo a situação do ser humano, da pessoa, um homem humilde, sem muito estudo, que esta com dificuldade financeira, que não tem dinheiro para absolutamente nada – o soldo dele deve ser pequeno -, [ser~] usado num negócio desses”, disse Aziz. “Quando uma pessoa fala que ele vai receber 6 centavos de dólar por 400 milhões de vacinas, imagina a cabeça dele fazendo conta, imagine o sonho dessa pessoa”, conjecturou o presidente da CPI. 

    “Não vejo maldade no Dominghetti, vejo maldade no Cristiano”, pontuou. 

    Presidente da CPI, Omar Aziz
    O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM)
    Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

    Pedido de prisão

    Durante a sessão desta quinta-feira, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) chegou a pedir a prisão de Luiz Paulo Dominghetti por conta do áudio apresentado, que segundo o senador caracterizava uma tentativa de induzir os parlamentares ao erro. O pedido não foi acatado por Aziz, no entanto, que se mostrou preocupado com a família do suposto representante da Davati. 

    “Se eu tivesse que prender alguém teria sido o Carlos Wizard ontem”, disse Omar Aziz, em referência ao empresário que foi ouvido na quarta-feira (30) na CPI da Pandemia, mas que deixou de responder perguntas dos senadores. Wizard, que é investigado pela comissão, foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

    “Ele sim chega lá falando na Bíblia, recitando Isaías, falando sobre coisa e rindo da morte das pessoas”, afirmou Aziz. “Ele sim, eu teria dado, com o maior prazer, ordem de prisão ontem”. 

    No entanto, Aziz disse que sabe reconhecer o poder e os deveres que tem como presidente da CPI, e sustentou que trabalha com “cautela” e “equilíbrio” para evitar “ser midiático”. 

    *Erramos: em versão anterior, o texto informava que Cristiano Carvalho era CEO da Davati no Brasil. A informação foi corrigida.