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    Comissão pede inclusão de hacker Walter Delgatti em programa de proteção à testemunha

    Foram enviados ofícios solicitando a proteção de Delgatti e sua família à Polícia Federal (PF), ao Ministério dos Direitos Humanos e ao ministro do STF Alexandre de Moraes

    Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Atos de 8 de Janeiro de 2023 (CPMI - 8 de Janeiro) realiza reunião para ouvir hacker, alvo de investigação que apura a inserção de dados falsos sobre ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As inserções teriam sido feitas em janeiro deste ano, antes dos atos antidemocráticos. Mesa:advogado do depoente, Matheus Moreira;hacker Walter Delgatti Neto.Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
    Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Atos de 8 de Janeiro de 2023 (CPMI - 8 de Janeiro) realiza reunião para ouvir hacker, alvo de investigação que apura a inserção de dados falsos sobre ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As inserções teriam sido feitas em janeiro deste ano, antes dos atos antidemocráticos. Mesa:advogado do depoente, Matheus Moreira;hacker Walter Delgatti Neto.Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Geraldo Magela/Agência Senado

    Tainá Farfan

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos criminosos do 8 de janeiro solicitou a inclusão em programa de proteção à testemunha do hacker Walter Delgatti Neto, que depôs à comissão nesta quinta-feira (17).

    No documento, assinado pelo senador Cid Gomes (PDT-CE), 1º vice-presidente da CPMI, a comissão solicita a inclusão no programa de proteção, além de Delgatti, de seus familiares e advogados.

    Foram enviados três ofícios: à Polícia Federal (PF), ao Ministério dos Direitos Humanos e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    Depoimento à CPMI

    Apesar de ter ficado em silêncio durante a tarde, Walter Delgatti Neto respondeu a todos os questionamentos da CPMI na parte da manhã.

    Em seu depoimento, o hacker disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na época em que estava no comando do Palácio do Planalto, prometeu a ele um indulto caso fosse preso em alguma ação contra as urnas eletrônicas.

    Também disse que Bolsonaro citou um “grampo” contra o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Delgatti, o ex-presidente teria pedido para que ele “assumisse a autoria” da invasão.

    Ainda durante o seu depoimento, o hacker disse que o marqueteiro de campanha de Jair Bolsonaro pediu a Delgatti para criar um “código-fonte fake” para apontar fragilidades nas urnas.

    Questionado sobre o assunto, Delgatti disse que sabia que estava cometendo crimes, mas que aceitou os pedidos, pois recebeu ordens do então presidente Bolsonaro.

    De acordo com o hacker, ele também orientou servidores do Ministério da Defesa na elaboração do relatório das Forças Armadas sobre as urnas. Posteriormente, o documento foi entregue ao TSE.

    Silêncio

    Na seguda parte do depoimento, porém, ao ser questionado por parlamentares da oposição, ele usou do direito de ficar em silêncio. Na noite de quarta-feira (15), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que Delgatti Neto usasse do recurso.

    Entre os parlamentares da oposição que questionaram Delgatti estão os senadores Sergio Moro (União Brasil-PR) e Marcos Rogério (PL-RO), e os deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Filipe Barros (PL-PR).

    Delgatti Neto está preso desde o início de agosto após ser alvo da Polícia Federal (PF) por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para incluir um falso mandado de prisão contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.

    Em 2019, ele ficou conhecido por ter vazado mensagens do então ministro da Justiça Sergio Moro, de integrantes da Lava Jato e de outras autoridades.

    *Publicado por Fernanda Pinotti