Depósitos de Queiroz para Michele Bolsonaro foram alvo de relatório do MP-RJ

Relatório foi elaborado para explicar pontos que não haviam ficado claros após a primeira análise da movimentação financeira de Fabrício Queiroz

Leandro Resende

Da CNN, no Rio de Janeiro

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Em abril de 2019, um mês antes de a Justiça do Rio de Janeiro decretar a quebra de sigilo bancário do ex-assessor Fabrício Queiroz, os depósitos de Michele Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, foram objeto de um relatório de inteligência feito pelo Ministério Público fluminense.

A CNN teve acesso ao documento, no qual o MP relata explicações solicitadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre os primeiros depósitos para Michele identificados pelo órgão de controle. O relatório foi elaborado para explicar pontos que, para os investigadores, não haviam ficado claros após a primeira análise da movimentação financeira do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), remetida aos investigadores em 2018. 

Neste documento, a instituição bancária de Michele explica, a pedido do MP-RJ, que os R$ 24 mil depositados por Queiroz em sua conta  são, na verdade, o somatório de seis cheques de R$ 4 mil depositados entre maio e dezembro de 2016.

Como não era funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro, Michele não é investigada pelo Ministério Público no inquérito das rachadinhas, e nem foi alvo de nenhuma medida como quebra de sigilo bancário ou fiscal. O MP-RJ, em nota, reforçou que não investiga a primeira-dama. 

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Dados obtidos após a quebra de sigilo bancário de Queiroz, autorizada pela Justiça em maio do ano passado, revelam que Michele Bolsonaro ao menos R$ 72 mil do ex-assessor de seu enteado Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), entre 2011 e 2016.

A informação foi revelada pela revista Crusoé nesta sexta-feira (7) e confirmada pela CNN com fontes que tiveram acesso às investigações sobre as movimentações atípicas de Queiroz. Os dados da quebra de sigilo contrariam explicação dada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em dezembro de 2018, quando relatório do Coaf revelou que o ex-assessor de Flávio havia depositado cheques que somavam R$ 24 mil na conta da primeira-dama.

Na época, o presidente afirmou que o dinheiro era parte do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que ele tinha feito a Queiroz. O primeiro depósito, de acordo com as informações da quebra de sigilo, ocorreu em 13 de outubro de 2011, no valor de R$ 3 mil. Em 4 novembro e 5 dezembro daquele mesmo ano, foram outros dois depósitos de R$ 3 mil cada.

Ao longo de 2012, Michelle recebeu outros seis cheques, também no valor de R$ 3 mil cada. Os cheques foram compensados nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho e julho.
Em 2013, a conta da primeira-dama recebeu outros três depósitos de R$ 3 mil cada, descontados em 6 de fevereiro, 8 de março e 17 de abril. De 2013 a 2015, não houve depósitos. Em 2016, ela recebeu outros nove cheques no valor de R$ 4 mil cada entre abril e dezembro.

 

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