Desde 2007, operações no Jacarezinho têm mais mortes que apreensões

Levantamento da UFF contabilizou 186 óbitos, sem contar caso ocorrido ontem

Operação policial deixou pelo menos 25 mortos nas proximidades da estação Jacarezinho
Operação policial deixou pelo menos 25 mortos nas proximidades da estação Jacarezinho Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press/Estadão Conteúdo

Leandro Resendeda CNN

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Levantamento exclusivo feito pelo Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (GENI) da Universidade Federal Fluminense (UFF)  a pedido da CNN revela que, desde 2007, as operações policiais realizadas na favela do Jacarezinho passaram longe de resolver o problema da segurança pública e a presença de traficantes na área.

Daquele ano até a última operação realizada em 2021, antes da operação que terminou com 25 pessoas mortas nesta quinta-feira (06), ocorreram 290 incursões policiais no local — que deixaram 186 pessoas mortas e outras 139 feridas. 

O número é maior que o total de apreensões (armas, drogas e veículos) feitas na favela no mesmo período: 167. Em 14 anos, pelo menos 21 operações terminaram com mais de 3 pessoas mortas no Jacarezinho. No período, 576 pessoas foram presas.

O levantamento do GENI, da UFF, faz parte de uma série histórica do grupo que acompanha o rendimento de operações policiais no Rio de Janeiro desde 1989. Foi o grupo que apontou a ação de ontem, no Jacarezinho, como a mais letal da história do estado. Veja, a seguir, os dados sobre as operações no Jacarezinho. 

Em complemento aos dados, o Instituto Fogo Cruzado analisou o caso do Jacarezinho, também a pedido da CNN. Os pesquisadores possuem uma base de dados diferente, mantida desde 2016. Entre 2016 e 2021 foram registrados 98 tiroteios, com 59 civis e 3 policiais mortos. Nesse período, 42 civis e 22 policiais ficaram feridos.

A CNN procurou a Polícia Militar e a Polícia Civil para um comentário sobre os dados e aguarda resposta. Ontem, em entrevista, o subsecretário da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, afirmou que “não há motivo”’ para comemorar a operação desta quinta-feira em virtude da quantidade de mortes registrada. 

“Da mesma forma que não existe a capacidade de qualquer pessoa querer, de alguma forma, nos confortar pela morte do nosso policial. De um tempo pra cá, por força de algum ativismo judicial que se vê hoje muito latente, a gente foi de alguma forma impedido ou minimamente dificultada a ação da polícia em alguma sociedade. O resultado disso, nada mais é, do que fortalecimento do tráfico”, afirmou.

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