Em conversa com oposição, Maia sinaliza rompimento com Bolsonaro

Entrevista do presidente da República à CNN nesta quinta-feira teve ataques frontais ao chefe da Câmara

Fernando Molicada CNN

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Em reunião com líderes de partidos de oposição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou claramente que pretende cortar relações com o Palácio do Planalto por conta das críticas à sua atuação feitas ontem, em entrevista à CNN, pelo presidente Jair Bolsonaro

Na conversa, realizada no fim da manhã desta sexta (17), Maia afirmou que Bolsonaro precisa entender que o Parlamento é autônomo e que, assim como o país, não pertence ao presidente da República.

Segundo um dos participantes do encontro, o presidente da Câmara disse que poderá tomar medidas mais duras contra o Planalto depois de passada a crise do novo coronavírus – ele não explicitou quais seriam essas providências.

O encontro marcou uma reaproximação de Maia com os partidos de esquerda e centro-esquerda (PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede). Ele se comprometeu a ouvir a oposição antes de definir a pauta de votação.

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A relação entre ele e o bloco ficara abalada por sua decisão de votar a medida provisória que cria o contrato de trabalho verde e amarelo e modifica pontos da legislação trabalhista (a MP acabou aprovada, mas sua votação no Senado foi retirada da pauta nesta sexta pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, do mesmo partido de Maia).

A reunião com a oposição é também uma resposta de Maia às tentativas do governo de refazer os laços com os partidos do Centrão (entre eles, PP, PTB, PL e PSD). O Planalto tenta melhorar suas relações com o Congresso e, ao mesmo tempo, influenciar na eleição do próximo presidente da Câmara (Maia não poderá ser reeleito para o cargo).

O presidente da Câmara já se afastara do ministro da Economia, Paulo Guedes. Seu principal interlocutor na equipe econômica é Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional.

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