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    Entenda a polêmica envolvendo o Rolex dado de presente a Jair Bolsonaro

    Inquérito aponta “organização criminosa” com pelos menos quatro envolvidos na compra e venda de objetos valiosos da União

    Tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid em depoimento à CPMI do 8 de janeiro
    Tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid em depoimento à CPMI do 8 de janeiro Foto: Roque de Sá/Agência Senado

    Elijonas MaiaGabriel FernedaGustavo Uribeda CNN

    Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (11) mandados de busca e apreensão contra o general Mauro César Lourena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

    O ex-advogado de Bolsonaro Frederick Wassef e o tenente do Exército Osmar Crivelatti, outro ex-ajudante de ordens do ex-presidente, também foram alvos da operação.

    Segundo a PF, os suspeitos são investigados por utilizar a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues de presente por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado brasileiro, por meio da venda desses itens em países do exterior.

    A investigação apontou, até o momento, que os valores obtidos dessas vendas ilegais foram convertidos em dinheiro em espécie e ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados.

    A PF apura se o ex-ajudante de ordens da Presidência da República Mauro Cid teria vendido e depois recomprado um relógio Rolex avaliado em US$ 68 mil (mais de R$ 300 mil pela cotação atual).

    Segundo as investigações, em 13 de junho do ano passado, Mauro Cid viajou para a cidade de Willow Grove, nos Estados Unidos, onde vendeu um Rolex pelo valor de US$ 68 mil. Esse dinheiro foi depositado na conta do pai de Cid.

    Cerca de nove meses depois, mostram as investigações, o advogado Frederick Wassef recuperou o relógio e o entregou novamente a Cid (filho), que retornou a Brasília e o transferiu para Osmar Crivelatti, também ex-ajudante de Bolsonaro.

    Veja a linha do tempo:

    Cronologia do Rolex
    Cronologia do Rolex / CNN/Reprodução
    • 13 de junho de 2022: após se desligar da comitiva presidencial no dia 13 de junho de 2022, Mauro Cid viajou de Miami até a cidade de Willow Grove, no estado Pensilvânia. Na cidade, se dirigiu até a sede da loja “Precision Watches” e efetivou a venda do relógio “Rolex Day-Date”, que integrava o denominado “Kit Ouro Branco”, presenteado ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro, durante sua visita oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019;
    • 13 de junho de 2022 (mesmo dia): Após efetivar a venda do relógio, juntamente com o relógio da marca “Patek Philippe”, o montante de US$ 68 mil foi depositado, no mesmo dia, na conta bancária de Mauro Cesar Lourena Cid, pai de Mauro Cesar Barbosa Cid;
    • 14 de março de 2023: o Rolex foi recuperado no dia 14 de março de 2023, pelo advogado Frederick Wassef, que retornou com o bem ao Brasil, em 29 de março de 2023;
    • 2 de abril de 2023: Mauro Cid e Frederick Wassef se encontraram na cidade de São Paulo, momento em que a posse do relógio passou para Mauro Cid;
    • 2 de abril de 2023 (mesmo dia): Cid retornou para Brasília, entregando o relógio para Osmar Crivelatti, assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro;
    • 4 de abril de 2023: Advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro entregaram o terceiro pacote de joias presenteado pela Arábia Saudita, que inclui um relógio Rolex. A entrega ocorreu em uma agência da Caixa, em Brasília.

    CNN tenta contato com as defesas de Mauro César Cid, Mauro Cid, Osmar Crivelatti e Frederick Wassef.

    O que diz a defesa de Bolsonaro

    O advogado Fábio Wajngarten, que atua na defesa de Jair Bolsonaro, disse à CNN que ele e seus colegas do time jurídico do ex-presidente não sabiam da operação de recompra de um relógio Rolex nos Estados Unidos.

    De acordo com Wajngarten, que foi secretário de comunicação do governo Bolsonaro, ele estava dando uma orientação jurídica a Cid sobre como proceder, mas desconhecia o paradeiro das joias.

    “A defesa não sabia. Eu estava ali para orientá-los a se antecipar a uma decisão que o TCU tomaria, pegar as joias e entregar. Só isso. Eu não sabia onde elas estavam”, afirmou à CNN.

    Questionado o motivo de não ter perguntado o paradeiro das joias, Wajngarten afirmou que não cabia a ele essa pergunta naquele momento.

    Veja também: Cid: Bolsonaro não levou escultura porque era latão