Entenda o caso das supostas agressões à deputada Joice Hasselmann

Parlamentar contou que acordou com fraturas, mas não se recorda de agressões

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) mostra local das supostas agressões (24.Jul.2021)
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) mostra local das supostas agressões (24.Jul.2021) Foto: Reprodução/CNN

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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Um dos assuntos que movimenta Brasília nos últimos dias é o caso envolvendo a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). Desde quinta-feira passada (22), a parlamentar, a Polícia Legislativa e a Polícia Civil buscam entender o que causou as diversas lesões apresentadas pela deputada.

No dia 22 de julho, Joice Hasselmann publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que sofreu um incidente na madrugada de domingo (18) em seu apartamento em Brasília. Segundo o relato da parlamentar, ela acordou no dia seguinte com fraturas, mas sem lembranças das agressões.

Na publicação, Hasselmann afirma que sofreu dois traumas na base do crânio, corte profundo no queixo e nos lábios, além de ter tido um dente moído.

Em relato ao jornal O Globo, Joice diz que acordou e não lembrava do que havia acontecido nas últimas horas. Disse que estava vendo televisão e quando acordou na manha seguinte percebeu que estava muito machucada. 

No relato, ela afirmou ter pensado que havia caído, mas depois viu outros machucados, fraturas e entendeu que algo a mais se passou. Ela disse que não tem recordação dos ocorridos e pediu a investigação do caso para a Polícia Legislativa.

Polícia Legislativa abre investigação

Depois de ser acionada pela deputada, a Polícia Legislativa da Câmara abriu investigação sobre uma possível agressão à parlamentar.

Nesta terça-feira (27), após a perícia em 16 câmeras do prédio onde fica o apartamento de Joice Hasselmann, o Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (Depol) informou que não foi identificada a entrada de nenhuma pessoa estranha no local, no dia em que a parlamentar relatou ter acordado machucada e ensanguentada.

A Polícia Legislativa ouviu funcionários que trabalham no prédio. A partir da análise do circuito de segurança, os peritos também concluíram que Joice não saiu do imóvel no período de quinta-feira (15) a terça-feira (20), momento em que teria ido para o hospital.

Quanto à perícia no imóvel, a Polícia Civil do Distrito Federal esteve nesta terça-feira (27) no apartamento funcional. Os agentes recolheram objetos do local e levaram o carro da deputada para o Instituto de Criminalística, onde também será periciado. A corporação atua em colaboração com a Polícia Legislativa e colheu depoimento da parlamentar na última segunda-feira (26). 

Após a perícia no local, a deputada foi às redes sociais dizer que não desistirá de exigir investigação: “Vou até as últimas consequências. Entregarei meu sigilo telefônico (que já estava à disposição) para as polícias. Faço questão que os delegados VEJAM as mensagens. Outros boletins de ocorrência e notícias crime serão feitos essa semana. É muito material que está sendo levantado”, escreveu.

O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados enviou o inquérito para o Ministério Público Federal (MPF), que informou ter devolvido o caso à Polícia Legislativa. O MPF disse que só vai se manifestar após o término de todos os laudos periciais.

Depoimentos e coletivas de imprensa

Em declaração à imprensa na última segunda-feira (26), Joice afirmou que o objeto não identificado encontrado na sua casa não tinha marcas de sangue. “É simplesmente um objeto que não pertence a absolutamente ninguém da minha casa”, disse a deputada. “Precisa saber como foi parar lá dentro.”

Em depoimento, a deputada indicou dois possíveis suspeitos do caso, mas disse que não irá revelar os nomes. “São suspeitas minhas, por conta de questões políticas, e eu não posso ser leviana”, explicou.

Além disso, a parlamentar relatou que fez um boletim de ocorrência contra o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), que insinuou que ela teria feito uso de drogas.

Hasselmann alertou que essa não será a única denúncia que vai fazer.  Também há outras em relação a ataques que vem sofrendo nas redes sociais. “Há muitas outras informações e boletins que eu farei contra outras pessoas que estão estimulando violência contra a mulher e feminicídio.”

Quem também sofreu com ataques na internet foi o marido da parlamentar. Em entrevista coletiva, o médico Daniel França se defendeu dos comentários veiculados nas redes sociais, que especulavam que o caso poderia se tratar de uma agressão dele contra a mulher. “Eu nunca agredi ninguém, não tenho nenhum motivo para fazer isso. Estou fazendo tudo para poder resolver a situação. Fui à polícia, convoquei imprensa”, disse.

Sobre a noite da possível agressão, o médico disse que estava na casa, mas que não ouviu nada. “Eu ronco muito, por isso durmo em outro quarto, por respeito ao descanso dela. Além disso, tenho sono pesado. Estava dormindo com porta fechada e não ouvi nada. Não tem luta, não tem grito e lesões bem feitas não fazem barulho.”

Neurologista, França afirma que não levou Joice ao pronto-socorro, pois, por se tratar da sua especialidade, poderia realizar os exames ele próprio. “Quando a encontrei, liguei o modo médico. Ela estava no chão, então, eu a coloquei na cama, fiz todos os curativos e exames físicos e neurológicos”, afirma.

“Estava tudo normal. Não levei ao médico porque o médico estava aqui. Qualquer alteração, estávamos prontos para ir ao hospital. Só quis deixá-la mais confortável e estável. Se tivesse sido um problema de outra especialidade médica, não conduziria sozinho.”

França afirma ainda que deixou Brasília durante a semana para cumprir compromissos profissionais, mas, ao retornar, se apresentou à Polícia Legislativa para prestar esclarecimento. Ele diz que, caso solicitado, faria exame de corpo de delito e abriria seu sigilo telemático. 

Com informações de Basília Rodrigues, Bia Gurgel, Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília e Matheus Prado, da CNN, em São Paulo*

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