Fatos Primeiro: Bolsonaro exagera ao comparar lucro de estatais com gestões anteriores

Presidente afirmou que, em média, estatais tiveram lucros cerca de R$ 100 bilhões mais altos em sua gestão; comparação só procede com relação aos dois piores resultados da década

Fachada de Agência dos Correios
Fachada de Agência dos Correios Marcelo Camargo/Agência Brasil

Danilo MoliternoLeonardo Rodriguesda CNN

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Em declaração publicada pelo canal Foco do Brasil, no YouTube, no dia 16 de março, o presidente Jair Bolsonaro (PL) compara números das estatais federais durante o seu governo com o das gestões anteriores. O pré-candidato à reeleição sugere que, nos anos de seu mandato, essas empresas acumularam cerca de “R$ 100 bilhões” de superávit anual a mais do que os registrados por seus antecessores.

Caso o ano de maior resultado líquido do atual governo seja comparado aos piores índices da última década, a diferença alcança o valor mencionado. Em geral, porém, os números registrados pelas estatais na atual gestão não apresentam altas significativas em comparação com os mandatos de Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. O presidente não especifica a qual período anterior a seu governo se refere.

 

O que Bolsonaro afirmou

com o lucro depois de mim, ultrapassa R$ 100 bilhões por ano [de diferença]”.”]“Os Correios, vai ser anunciado o resultado esses dias, deu lucro ano passado: R$ 3 bilhões. Ano retrasado: R$ 1,5 bilhão. E vai para trás, ou era prejuízo, ou zero a zero. Numa média, os prejuízos das estatais antes de mim [em comparação] com o lucro depois de mim, ultrapassa R$ 100 bilhões por ano [de diferença]”.

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Comparação procede somente em relação a 2015 e 2016

De 2008 até hoje, o maior resultado líquido das estatais federais brasileiras foi registrado em 2019 — primeiro ano do governo Bolsonaro. Na ocasião, o superávit foi de R$ 111.101.794.000, de acordo com o Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais, publicado anualmente pelo Ministério da Economia. No segundo ano de seu mandato, houve uma queda para cerca de R$ 60.643.987.000.

 

Se comparado aos números de 2015, quando as 187 companhias da união tiveram prejuízo somado de R$ 32 bilhões, e de 2016, quando lucraram cerca de R$ 4 bilhões, o melhor índice da gestão do presidente corresponde à sua declaração.

A média anual de lucro das estatais durante o governo Bolsonaro é próxima de R$ 85 bilhões. O valor se enquadra na comparação do presidente com relação ao pior ano da década (2015), mas ela é exagerada com relação a outros anos.

Em 2018, com Michel Temer no comando do Executivo, os resultados líquidos das estatais foram de R$ 71 bilhões. No último triênio de governo do ex-presidente Lula (2008-2010), elas obtiveram lucros de R$ 55 bilhões, R$ 54 bilhões e R$ 64 bilhões respectivamente. No primeiro ano de Dilma Rousseff na Presidência, em 2011, o lucro foi de R$ 64 bilhões.

Correios lucraram

Em sua fala ao Foco do Brasil, o pré-candidato à reeleição mencionou especificamente os números apresentados por uma estatal, os Correios. Como afirmado pelo presidente, em 2020, a empresa registrou lucro de “um bilhão e meio” — R$ 1,53 bilhão, para ser exato.

Além disso, Bolsonaro afirmou que o balanço dos Correios para 2021 apresentaria “três bilhões”. O valor apresentado no balanço foi de R$ 3,7 bilhões — o melhor da empresa na década.

Por fim, ao declarar que resultados da companhia eram “prejuízo ou zero a zero” antes de seu mandato, o pré-candidato não especifica o período ao qual se refere e erra na generalização.

De 2010 a 2012, os Correios apresentaram lucro crescente ano após ano – tendo superado R$ 1 bilhão em 2012. Nos quatro anos seguintes (entre 2013 e 2016), contudo, a companhia teve prejuízo – sendo o maior déficit de R$ 2,1 bilhões, em 2015. O retorno ao saldo positivo veio antes da gestão Bolsonaro: desde 2017, a empresa registra lucro em todos os anos.

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