Debate 360: Freixo defende divulgar vídeo e Sanderson fala em analisar conteúdo

Deputados federais comentaram sobre vídeo de reunião ministerial que é utilizado em investigação da PF, após acusação de Sergio Moro contra Bolsonaro

Da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Ubiratan Sanderson (PSL-RS) concordaram em parte com a divulgação do vídeo da reunião ministerial que ocorreu no Palácio do Planalto, que, de acordo com a defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, comprova as declarações do ex-juiz sobre a tentativa de intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal. Os deputados participaram do Debate 360, na CNN, nesta quinta-feira (14).

Ao argumentar sobre a retirada do sigilo do vídeo da reunião ministerial, o deputado Ubiratran Sanderson destacou que algumas ressalvas devem ser consideradas, como a isenção de divulgação de dados sobre economia e relações exteriores, por exemplo.

“Temos certeza de que todas as falas que tratam de questões republicanas devem sim serem divulgadas, até porque a transparência tem sido algo muito caro ao governo Bolsonaro. Agora, assuntos relacionados a soberania nacional e soberania econômica, sabemos que há diálogos que trazem detalhes da relação Brasil-China, temos que ter cuidado. Nesse período de crise, tudo que não queremos é mais uma crise política”.

Marcelo Freixo, ao concordar com a divulgação, informou também que entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para que a Câmara dos Deputados tenha acesso à gravação.

“Se é verdade que o presidente afirma que a mudança na PF aconteceu para proteger seus filhos ou para proteger aliados, isso é muito grave, mais um crime de responsabilidade, evidente que este conteúdo não pode estar sob sigilo. Fico imaginando a quantidade de bobagem que foi dita sobre a China, levando em conta a qualidade dessas reuniões ministeriais, deve ser assustador e coloca a economia brasileira toda em risco. O que eu defendo, é que o poder legislativo avalie. Quem define o que deve ser visto é o Supremo, que irá dizer o que cabe e o que não cabe”. 

Depoimento de Sergio Moro

Os deputados federais Marcelo Freixo e Ubiratan Sanderson também debateram sobre as acusações que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro fez sobre Bolsonaro, de que o presidente pretendia intervir na Polícia Federal. E, enquanto Sanderson define as acusações como “exageradas”, Freixo defende que se apure a fundo, uma vez que, “há fatos comprovados sobre a relação da família Bolsonaro com milicianos”.

“Moro já entrou para história do Brasil com o combate à corrupção, mas como ministro da Justiça ele deixou a desejar.  Vimos uma serie de situações que esperávamos muito mais. Quando ele sai dizendo eu possuía provas concretas contra o Bolsonaro, eu logo, com mais de 20 anos de experiencia na Polícia Federal, vi que ele estava exagerando. E esse exagero ficou comprovado, com o próprio depoimento, não há qualquer interferência do governo Bolsonaro na PF”, afirmou Sanderson.

Em contrapartida, Freixo defende a rigidez na condução das investigações, com base em fatos anteriores.

“Quem transformou Sergio Moro em herói não fui eu, foi o Bolsonaro e os bolsonaristas. Eu presidi a CPI das milícias, enfrentamos o crime organizado que tem braço político, e Bolsonaro defendia a legalização das milícias, a legalização de uma máfia, isso em 2008, é fato. Adriano da Nóbrega, matador, convivia no gabinete da família Bolsonaro. E o deputado Flavio Bolsonaro aprovou uma homenagem ao Adriano da Nóbrega, ele estava na cadeia. Isso é fato, não narrativa. As relações entre milícia e a família Bolsonaro, é fato. Agora essa é a razão dele querer a PF do Rio de Janeiro? Eu não sei, por isso tem que ser investigado”, afirma Freixo.

Relação Bolsonaro x Centrão 

A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e os partidos de centro causou discordância entre os deputados, enquanto Freixo acredita na proximidade, Sanderson considera a relação apenas como “diálogo democrático”.

“Bolsonaro fez aliança com centrão, ele já está distribuindo cargo no Nordeste, olha como o centrão está agindo, se juntou à tropa de choque do Eduardo Cunha. E na PF faz interferência, segundo Sergio Moro”, disse Freixo.  

“Eu atuo na vice liderança do governo, o diálogo faz parte da democracia. Pegaram um vídeo do Bolsonaro conversando com o presidente do PP, Arthur Lira, disseram que por causa disso estava feito acordo do Bolsonaro com o centrão, mas não são fatos verdadeiros. Temos 22 ministérios, inúmeras secretarias, nenhum ministério ou secretaria foram trocados, eu não concordaria com esse tipo de atitude. E não há nenhum pacto entre Bolsonaro e centrão, proibir o diálogo é negar o regime democrático. Que poder tem o Avante? Tem cinco deputados. Se houvesse mesmo essa relação visceral entre Bolsonaro e o centrão, os partidos seriam maiores”, finalizou Sanderson.

Mais Recentes da CNN