Heleno admite conversa com CIA, mas nega que tenha tratado de eleições

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República afirmou que diálogos com americanos foram sobre troca de informações sobre inteligência

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, no Palácio do Planalto
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, no Palácio do Planalto Foto: Clauber Cleber Caetano/Presidência

Da CNN

Em São Paulo

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O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Augusto Heleno, durante live com Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (5) disse que é “falsa” a notícia de que um diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos disse a autoridades do Brasil, ano passado, que o presidente deveria parar de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral do país antes das eleições de outubro. A reportagem é da agência Reuters.

Heleno confirmou que aconteceram conversas com o setor de inteligência americano, porém, que o assunto não foi as próximas eleições, em que Bolsonaro vai concorrer à reeleição.

“Um repórter da Reuters fez uma narrativa de que o diretor do centro de inteligência americana teria sido mandado ao Brasil para dar um recado para o senhor para não perturbar mais a realização das eleições de 2022. Lógico que as conversas sobre área de inteligência que nós tivemos, e foram extremamente produtivas, foram muito interessantes. Esta conversa sobre eleições jamais aconteceu. Não sei de onde ele buscou essa narrativa, não houve nenhuma troca de ideias sobre eleições nem nos Estados Unidos, nem aqui. Então isso foi uma notícia falsa”, afirmou o general na transmissão.

Bolsonaro também comentou a notícia com o público que assistia sua transmissão ao vivo. “Seria extremamente deselegante um agente de uma agência como a CIA ir a outro país para dar um recado. É uma mentira, fake news. Talvez queiram montar uma narrativa fora do Brasil.”

Reunião fechada

Os comentários do diretor da CIA, William Burns, que não haviam sido reportados na imprensa até então, foram feitos em uma reunião íntima, a portas fechadas, em julho de 2021. A fontes da reportagem seriam duas pessoas familiarizadas com o assunto – que falaram sob a condição de anonimato.

Burns era, e permanece sendo, a autoridade de mais alto escalão dos EUA a ter se encontrado em Brasília com o governo Bolsonaro desde a eleição do presidente americano Joe Biden.

Uma terceira pessoa, em Washington, familiarizada com o tema confirmou que uma delegação liderada por Burns disse aos principais assessores de Bolsonaro que o presidente deveria parar de minar a confiança no sistema eleitoral do Brasil.

A terceira fonte não tinha certeza se foi o próprio diretor da CIA quem expressou essa mensagem [ou alguém da delegação]. A CIA se recusou a comentar o tema.

(Publicado por Carolina Farias)

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