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    Heleno deve dizer à PF que Ramagem despachava direto com Bolsonaro, dizem fontes

    Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional pretende dizer à Polícia Federal em seu depoimento que não tem nenhuma informação sobre a “Abin paralela”

    Raquel LandimJussara Soaresda CNN São Paulo e Brasília

    O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, pretende dizer à Polícia Federal (PF) em seu depoimento que não tem nenhuma informação sobre a “Abin paralela”, apurou a CNN.

    De acordo com pessoas próximas, Heleno ainda argumentará que o deputado Alexandre Ramagem, então chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), despachava diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora a Abin fosse subordinada ao GSI.

    O ex-ministro não deverá se manifestar até a data do depoimento que ocorrerá na sede Polícia Federal em Brasília.

    Porém, interlocutores do general afirmam que o ex-ministro pretende reforçar a ligação de Ramagem com Bolsonaro e seus filhos.

    Ramagem, que hoje é deputado federal, era chefe da segurança do então candidato quando Bolsonaro tomou a facada em Juiz de Fora.

    Então presidente Jair Bolsonaro com Alexandre Ramagem em sua posse como diretor da Abin, em Brasília / 11/07/2019 – Reuters/Adriano Machado

    Heleno, no entanto, também tinha a confiança do chefe e era bastante leal a ele.

    No meio militar, a convocação de Heleno para depor na investigação da suposta rede de espionagem não surpreendeu até por uma questão hierárquica, já que a Abin respondia para o GSI.

    No entanto, causa desconforto, principalmente entre os militares reformados, onde Heleno ainda possui prestígio.

    As ordens no Alto Comando das Forças, no entanto, é não se envolver com o episódio e seguir no processo de despolitização.

    Em entrevista ao programa Roda Viva em 2 de março de 2020, o ex-ministro e advogado Gustavo Bebianno revelou que Augusto Heleno teria sido chamado para o esquema de espionagem, mas se mostrou preocupado com a ideia.

    Bebianno também disse ter aconselhado, junto ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro, que o presidente não aceitasse a sugestão de Carlos.

    “O general Heleno foi chamado, ficou preocupado com aquilo, mas o general Heleno não é de confrontos, e o assunto acabou ali, com o general Santos Cruz e comigo”, afirmou Bebianno.

    “É muito pior que o gabinete do ódio, aquilo também seria motivo para impeachment”, acrescentou.

    A CNN tenta contato com o general Heleno.

    Entenda o caso Abin

    Chefe da Abin entre de julho de 2019 a março de 2022, Ramagem é alvo de investigação por suposto monitoramento ilegal de autoridades e adversários de Bolsonaro. Ele foi alvo de busca e apreensão no dia 25 de janeiro.

    Na segunda-feira (29), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente, também foi alvo de busca e apreensão em sua casa em um condomínio na Barra da Tijuca e em seu gabinete.

    A PF também cumpriu mandado na casa da família Bolsonaro na Vila de Mambucaba em Angra dos Reis (RJ), onde o Carlos estava com o pai e os irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ)

    Nesta nova etapa, a Polícia Federal busca avançar no núcleo político, identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin, por meio de ações clandestinas.

    Segundo a PF, nessas ações eram utilizadas técnicas de investigação próprias das polícias judiciárias, sem, contudo, qualquer controle judicial ou do Ministério Público.

    Os investigados podem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.