O que houve na compra da Covaxin foram erros formais, diz Marcos Rogério à CNN

Senador pelo DEM de Rondônia diz que se Bolsonaro tivesse acionado Polícia Federal, oposição acusaria o presidente de obstruir a compra de vacinas

Gregory Prudenciano e Renata Souza*, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN neste domingo (27), o senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que as denúncias de irregularidades na compra da vacina Covaxin pelo governo federal estão baseadas em “meros erros formais em um processo administrativo de compra de vacina onde não se pagou um centavo sequer desse contrato”. Segundo o senador, que é aliado do governo Jair Bolsonaro (sem partido), não há indícios de desvios na aquisição das vacinas. 

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia na sexta-feira (25), o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) apresentou aos senadores documentos que supostamente comprovariam irregularidades nas negociações entre o governo brasileiro a empresa Precisa Medicamentos na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech.

“Depois de dois anos e meio de um governo federal sem um escândalo sequer de corrupção, tudo o que a oposição tem para apurar são meros erros formais”, disse o senador. “Não saiu um centavo dos cofres do governo, e a oposição acusa o governo de estar diante do maior escândalo de corrupção”, reclamou. 

De acordo com Marcos Rogério, a acusação que vem sendo feita por políticos de oposição de que o presidente Jair Bolsonaro teria prevaricado – quando um funcionário público atrasa ou deixa de cumprir com suas obrigações por motivo de interesse pessoal – ao não acionar a Polícia Federal para apurar as denúncias feitas a ele pelos irmãos Miranda é somente jogo político. 

Para Marcos Rogério, “qualquer que fosse a posição do presidente Bolsonaro, a oposição agiria para acusar”. “Caso o presidente Bolsonaro tivesse feito o que a oposição hoje denuncia que seria a obrigação dele, hoje a acusação seria outra: a de que o presidente agiu sem a devida cautela, sem apurar primeiro internamente”. 

“E, se ele [Bolsonaro] tivesse levado [o caso] à Polícia Federal, o que a oposição estaria fazendo hoje é acusando o presidente de obstruir a compra de uma vacina”, argumentou o político. 

Senador Marcos Rogério (DEM-RO), titular da CPI da Pandemia
Senador Marcos Rogério (DEM-RO), titular da CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil (25.jun.2021)

‘Criaram fake news gigante’

Marcos Rogério disse à CNN que foi criada “uma fake news gigante” a respeito do suposto superfaturamento das doses da Covaxin, compradas a US$ 15 por unidade, valor 1000% maior que o informado inicialmente por executivos do laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da vacina. 

Segundo a Precisa Medicamentos, que representa o laboratório no Brasil, o valor praticado está em linha com vendas feitas a outros 13 países. 

Sobre os documentos enviados pela Precisa Medicamentos ao Ministério da Saúde e que estariam diferentes dos termos do contrato, Marcos Rogério voltou a afirmar que houve somente “erros formais” e que a Precisa nunca se negou a alterar os papéis. 

“Não houve qualquer movimento de resistência por parte da empresa, você não vê isso no processo”, disse o senador. 

Questionado sobre o suposto envolvimento do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR) no caso, conforme versão do deputado Luis Miranda (DEM-DF) apresentada aos senadores da CPI da Pandemia na sexta-feira (25), Marcos Rogério disse que não pode pressupor que a afirmação de Miranda “seja 100% verdadeira”, e destacou que o presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o caso.

Depoimento dos irmãos Miranda

A versão de Miranda foi corroborada por seu irmão, Luis Ricardo, que é funcionário do Ministério da Saúde e que identificou diferenças entre o contrato assinado pelo governo federal e os documentos enviados à pasta para a aprovação da importação do imunizante. 

Segundo o parlamentar, o presidente Jair Bolsonaro teria sido alertado por ele e seu irmão das suspeitas de irregularidades em reunião presencial no dia 20 de março. O presidente teria dito que encaminharia as denúncias para a Polícia Federal, mas teria avisado Miranda que se tratava de “um rolo” do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados.

O governo afirma que nenhum real foi gasto com a Covaxin, uma vez que as doses ainda não foram entregues. No entanto, o contrato com a Precisa Medicamentos continua valendo. Políticos ligados ao governo Bolsonaro também passaram a questionar a credibilidade de Luis Miranda em entrevistas e em publicações nas redes sociais. 

Em nota, a Precisa Medicamentos também negou irregularidades e acusou os irmãos Miranda de agirem politicamente. 

Na quinta-feira (24), o presidente da República voltou a afirmar que seu governo não tem escândalos de corrupção e disse que “não adianta inventar vacina, porque não recebemos uma dose sequer dessa que entrou na ordem do dia da imprensa”.

*Sob supervisão de Juliana Alves

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