Waack: desde a Ditadura, não vivíamos a crise institucional que vivemos hoje

Nesta quinta-feira (5), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, anunciou o cancelamento da reunião entre os três Poderes

Da CNN, em São Paulo

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No quadro CNN Poder desta sexta-feira (6), na CNN Rádio, William Waack analisa os novos contornos da política brasileira após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, anunciar nesta quinta-feira (5) que a reunião entre os três Poderes foi cancelada

O cancelamento do encontro, que deveria ter acontecido antes de Jair Bolsonaro ter sido internado em 14 de julho, se dá após mais uma escalada nas críticas do presidente aos ministros do Supremo e às eleições. Para Waack, o anúncio de Fux revela que o país está “em uma situação mais delicada e perigosa”. 

“Desde a saída da ditadura militar, 36 anos atrás, não vivíamos a crise institucional que vivemos hoje. É preciso que isso seja repetido. O que é uma crise institucional? É quando um Poder da República acusa o outro de usurpação de suas funções e este poder acusado reage, por sua vez, distribuindo as mesmas acusações. Não adianta o Bolsonaro dizer que questão dele é pessoal contra este ou aquele ministro do Supremo. Nós subimos de patamar, e a escalada da crise aumentou. Estamos numa situação mais delicada e mais perigosa. Provavelmente passamos do ponto do qual não há mais retorno”, avalia Waack. 

Diante da escalada, Waack diz que pode não haver possibilidade de reconciliação e que, até o momento, “os bombeiros” que costumam atuar para acalmar os ânimos em Brasília estão em silêncio. 

“O presidente acusa do STF de impedi-lo de governar, acusa o STF de não ter sido eleito, mas estar interferindo e usurpando os outros dois Poderes da República, de acordo com a Constituição. Da mesma maneira, o STF diz que o presidente não está respeitando a Constituição ao se comportar da maneira como se comporta, ou seja, colocando em risco e ameaçando as eleições do ano que vem. Os bombeiros de sempre estão trabalhando até aqui com o seguinte resultado: alguns estão quietos, por exemplo, os presidentes das casas legislativas, e talvez seja um bom sinal, mas a imprevisibilidade da política brasileira só aumentou.”

 

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