Wilson Witzel pode ter que deixar Palácio Laranjeiras

Deputados estaduais querem transformar o local em um centro destinado à cultura

Ana Maia*, da CNN no Rio de Janeiro

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O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), pode ter de deixar o Palácio Laranjeiras, sua residência oficial. Deputados estaduais querem transformar o local em um centro destinado à cultura.

O projeto foi apresentado pelo parlamentar Anderson Moraes (PSL) no início de junho. Nesta terça-feira (6), ele deve fazer um pedido para que o assunto entre na pauta de votação da Assembleia Legislativa em regime de urgência.

“Protocolei o projeto para que o Palácio Laranjeiras deixe de ser residência oficial do governador ou de outra autoridade, porque tantos escândalos de corrupção trazem uma imagem negativa a um patrimônio histórico. É um abuso o Wilson Witzel, que está afastado, continuar morando lá com toda regalia”, afirmou em nota Anderson Moraes.

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Movimentação no Palácio Laranjeiras, casa oficial do governador do Rio de Janeir
Movimentação no Palácio Laranjeiras, casa oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel
Foto: CNN (28.ago.2020)

A matéria estabelece que “fica destinado para fins culturais o imóvel do Palácio Laranjeiras, restando vedada sua utilização como residência do Governador do Estado ou qualquer outra autoridade pública.”

Desde agosto, Wilson Witzel está afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça, suspeito de integrar um esquema de corrupção. Pelas redes sociais, os deputados têm criticado o fato dele continuar morando no Palácio Laranjeiras, especialmente porque, nas eleições de 2018, prometeu que viveria em seu apartamento no Grajaú, bairro da zona norte do Rio.

O imóvel no Grajaú inclusive passou por reformas após as eleições. Durante a operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal, em agosto deste ano, quando Witzel foi afastado, investigadores encontraram servidores públicos na obra. A Procuradoria-Geral da República apura se dinheiro público foi usado no projeto.

O deputado estadual Anderson Moraes já fez um primeiro pedido de urgência para votação do projeto no dia 24 de setembro, sem efeito. Agora, ele busca apoio de 25 deputados estaduais para pressionar a entrada na pauta da Alerj. “Nada mais justo que o palácio seja destinado a fins culturais e seja devolvido ao povo”, defendeu.

A reportagem da CNN tenta contato com o governador afastado Wilson Witzel para seu posicionamento sobre o projeto.

(*Estagiária sob supervisão de Pauline Almeida)

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