Mandetta anuncia acordo para produção nacional de 14 mil respiradores

Ministro disse que parceria com indústrias, construtoras e financeiras permitiu expansão de fábrica especializada na produção do equipamento

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
08 de abril de 2020 às 17:30 | Atualizado 09 de abril de 2020 às 01:02
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), anunciou nesta quarta-feira (8) o fechamento de um contrato com empresas nacionais para a produção de respiradores mecânicos no Brasil. A medida havia sido antecipada pela CNN. 

A falta do equipamento é uma das principais deficiências do sistema de saúde brasileiro para o combate à pandemia do novo coronavírus.

Inicialmente, o ministro Mandetta havia citado a produção de 6.500 respiradores. Em detalhamento da medida, o diretor do departamento de logística em saúde, Roberto Dias, afirmou que o número será maior: serão 14 mil respiradores, sendo 7 mil para atendimento em UTIs e 7 mil para transporte de pacientes.

O ministro citou um prazo de 90 dias. Mandetta afirmou que há quatro empresas com expertise nessa produção, mas com baixa escala. Ele citou a Magnamed, empresa sediada em Cotia (SP), que deve produzir os 6,5 mil em um prazo de 90 dias, muito acima da produção atual, de cerca de 400 equipamentos por ano.

Os técnicos afirmaram que a expansão foi possibilitada por meio de uma parceria com o Ministério da Economia, que arregimentou um grupo de empresas habilitadas a expandir essa oferta. Foram citadas indústrias, construtoras e financeiras.

“O Ministério da Economia fez um trabalho belíssimo de mapear o parque industrial, de analisar quem faz o quê, de quem teria capacidade de agregar, se juntar a essas empresas que tem uma escala pequena face a necessidade nacional, mas tem expertise de fazer. E quais grandes empresas poderiam expandir essa linha de produção”, explicou Roberto Dias.

Mesmo com as parcerias, Dias afirma que ainda há uma dificuldade a ser superada, que é a necessidade de buscar alguns insumos para os equipamentos que são importados. Ele afirmou que o Ministério das Relações Exteriores está manejando a questão.

China

A opção por uma produção nacional foi feita depois de sucessivas dificuldades, segundo Mandetta, de fechar compras de lotes desse equipamento na China, país que concentra a indústria de insumos de saúde.

Ele afirmou que uma compra de 15 mil respiradores, que seriam entregues em 30 dias, foi cancelada após o fornecedor chinês não dar garantias de que conseguiria entregar o produto.

Os respiradores são essenciais para os casos mais graves da COVID-19, que necessitam de internação em unidades de terapia intensiva. A ausência do equipamento em quantidade suficiente é apontada como fator que poderia maximizar o número total de casos da doença que evoluem para óbitos.

Segundo o boletim divulgado nesta tarde pelo Ministério da Saúde, o Brasil chegou a 800 mortes pelo novo coronavírus e quase 16 mil casos confirmados da COVID-19. Houve um acréscimo de 133 mortes e 2.210 casos em 24 horas. Pelo segundo dia consecutivo, trata-se do maior aumento diário na quantidade de confirmações de COVID-19.