Abramed: Preocupação atual é escassez de testes para pessoas que mais necessitam

De acordo com a Associação, a procura por testes da Covid-19 aumentou em cerca de 98% entre a semana do Natal e a primeira semana de janeiro

Juliana AlvesLuana Franzãoda CNN

São Paulo

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Com o aumento de casos da Covid-19, a possível escassez de testes diagnósticos da doença para identificar pacientes que mais precisem da confirmação é a maior preocupação das autoridades de saúde, afirmou Wilson Scholnik, presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), em entrevista à CNN na manhã desta quinta-feira (13).

De acordo com a Associação, a procura por testes da Covid-19 aumentou em cerca de 98% entre a semana do Natal e a primeira semana de janeiro, tanto em farmácias, quanto em laboratórios e hospitais. A chegada da variante Ômicron, mais transmissível, causou uma busca inesperada por testes, que levou à queda de estoques e à falta de disponibilidade.

Os estoques foram baixando, o número de exames aumentou, e a positividade vem aumentando desde a semana do Natal: antes tínhamos cerca de 7,6% de positividade, agora quase 40%, e chegando aos 50% no Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais (…) Nossa preocupação é que as pessoas que mais necessitam de exames, não tenham acesso de uma hora para outra.

Wilson Scholnik, presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

 

O especialista aponta que uma das dificuldades do país em atender às demandas de testagem da Covid-19 é o fato de que a maior parte dos laboratórios privados utiliza insumos importados na realização dos exames – vindos de locais como Estados Unidos, China, Europa e Coreia do Sul.

“Nós temos assistido a um aumento da testagem também em outros países, e esses fornecedores e fabricantes acabam privilegiando os países onde eles estão localizados. Então, nós estamos travando mais uma vez, uma competição para termos os insumos necessários para a realização desses exames laboratoriais. Isso vem acontecendo em todo o mundo, a exemplo do que já aconteceu no início da pandemia”, afirmou.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e algumas entidades associadas possuem uma produção nacional de testes, que é destinada em sua maioria à rede pública. “Ao Ministério da Saúde é a quem cabe distribuir essa produção para laboratórios centrais dos estados e também dos municipios”, esclareceu Scholnik.

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