Alertas com imagens em embalagens de refrigerantes podem evitar obesidade

Pesquisa da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, descobriu que os avisos nas embalagens, como nos cigarros, reduziram em 17% o consumo de bebida açucaradas

Xarope é o principal ingrediente usado na fabricação de refrigerantes
Xarope é o principal ingrediente usado na fabricação de refrigerantes Foto: Lernestorod/ Pixabay

Ingrid Oliveirada CNN

São Paulo

Ouvir notícia

Uma equipe de cientistas norte-americanos simulou uma versão que imita uma loja de supermercado na Universidade da Carolina do Norte (UNC) para testar um experimento contra a obesidade infantil, colocando avisos com imagens sobre os malefícios do açúcar em refrigerantes, assim como acontece nos maços de cigarro. E isso ocasionou uma redução de 17% nas compras de bebidas açucaradas.

Os resultados do experimento foram publicados na revista PLOS Medicine.

A pesquisa envolveu 326 pais de crianças de 2 a 12 anos, que foram submetidos a um estudo randomizado com um grupo de advertência pictórico — qual os rótulos das bebidas tinham imagens representando danos cardíacos e diabetes tipo 2; e um segundo grupo de de controle — em que as embalagens exibiam um código de barras.

Lindsey Smith Taillie, professora do Departamento de Nutrição da Escola de Gillings e membro do Carolina Population Center da UNC, disse que a equipe de pesquisadores viu uma grande necessidade de testar o impacto das políticas em um ambiente de loja de alimentos muito mais realista.

“Quando as pessoas fazem escolhas sobre qual comida comprar, elas estão fazendo malabarismos com dezenas de fatores como sabor, custo e publicidade e estão olhando para muitos produtos ao mesmo tempo”, explicou em um comunicado.

Uma escolha influenciadas pelas ilustrações

Os pais foram instruídos a escolher uma bebida e um lanche para seu filho, além de um item doméstico, que tinha o intuito de esconder a finalidade do estudo.

Após as compras, os participantes preencheram uma pesquisa sobre suas seleções e saíram com a bebida de sua escolha e um incentivo em dinheiro.

Quando os cientistas compararam os resultados, descobriram que houve uma redução de 17% nas compras de bebidas açucaradas, sendo 45% dos pais grupo de controle comprando uma bebida açucarada para seus filhos, em comparação com 28% no grupo de rótulo com o alerta.

De acordo com os pesquisadores, os avisos também diminuíram as calorias compradas de bebidas açucaradas e levaram os pais a se sentirem mais no controle das decisões de alimentação saudável e a pensarem mais sobre os danos dos refrigerantes.

Características sociais também foram avaliadas

Dos 326 pais, 25% eram negros e 20% latinos. Segundo os pesquisadores, os fatores raça/etnia, influenciam nas taxas mais altas de consumo de bebidas açucaradas e obesidade entre crianças negras e latinas em comparação com crianças brancas não-latinas, em partes, devido a fatores estruturais como campanhas de marketing, por exemplo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que em 2020, 39 milhões de crianças abaixo dos cinco anos estavam acima do peso no mundo todo. Só na África, o número de crianças menores de cinco anos com sobrepeso aumentou quase 24% desde 2000.

As crianças nos Estados Unidos e em outros países consomem mais do que a quantidade recomendada de bebidas com açúcar, o que aumenta o risco de obesidade e doenças crônicas relacionadas à dieta, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.

Os cientistas descobriram que os benefícios dos avisos com imagens foram semelhantes de acordo com as características dos pais, incluindo raça, etnia e status socioeconômico, sugerindo que os avisos com imagens podem funcionar igualmente bem em diversas populações.

Entretanto, estudos maiores são necessários para ver como os alertas funcionam para grupos com maior risco de doenças relacionadas à dieta.

Taillie, da UNC, disse que mostrar que os avisos podem frear tudo o que está acontecendo em uma loja de alimentos é uma evidência poderosa de que eles ajudariam a reduzir as compras de bebidas açucaradas no mundo real — o que poderia beneficiar milhares de crianças.

Mais Recentes da CNN