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    Autismo pode estar associado a alterações no microbioma intestinal, diz estudo

    Descoberta pode ajudar na forma como o transtorno do espectro autista (TEA) é diagnosticado; pesquisa possui limitações e mais estudos devem ser feitos

    A identificação do transtorno no começo da infância é importante para o desenvolvimento da criança
    A identificação do transtorno no começo da infância é importante para o desenvolvimento da criança vejaa/GettyImages

    Gabriela Maraccinida CNN

    Componentes bacterianos e não bacterianos presentes no microbioma intestinal podem estar relacionados ao transtorno do espectro autista (TEA) em crianças, segundo um novo estudo publicado na Nature Microbiology, na segunda-feira (8). A pesquisa sugere que um conjunto desses componentes pode ser útil para melhorar como o transtorno é diagnosticado.

    O microbioma intestinal é o conjunto de genes da população microbiana — fungos, bactérias, protozoários e vírus — que vive no intestino humano. Ele faz parte da chamada microbiota intestinal, que desempenha um papel importante na digestão de alimentos, na síntese de vitaminas e atua na produção de neurotransmissores, como serotonina (hormônio do bem-estar) e dopamina (hormônio do prazer).

    A relação entre o microbioma intestinal e o autismo já foi tema de pesquisas anteriores, mas elas não haviam se concentrado em mudanças na composição das bactérias intestinais em pessoas com o transtorno em comparação com pessoas neurotípicas (sem autismo). Ainda não estava claro se outros membros do microbioma intestinal, como arqueias (microrganismos parecidos com bactérias), fungos e vírus, além dos genes, são alterados em pessoas com autismo.

    Os pesquisadores, então, realizaram o sequenciamento metagenômico em amostras fecais de 1.627 crianças do sexo masculino e feminino, com ou sem TEA, com idades entre 1 e 13 anos, na China. Eles analisaram essas amostras com dados sobre fatores como alimentação, medicação e comorbidades.

    Após controlar esses fatores que poderiam interferir nos resultados, os autores do estudo identificaram 14 arqueias, 15 bactérias, sete fungos, 18 vírus, 27 genes microbianos e 12 vias metabólicas alteradas em crianças com TEA.

    Em seguida, utilizando aprendizado de máquina (um tipo de inteligência artificial), os cientistas criaram um modelo baseado em um painel de 31 microrganismos que conseguiu identificar com maior precisão (82%) crianças do sexo masculino e feminino com TEA.

    Segundo os pesquisadores, isso significa que esses 31 marcadores podem ter potencial diagnóstico clínico, facilitando como a doença é identificada. Atualmente, o autismo é diagnosticado a partir de informações sobre o comportamento da criança e aspectos de neurodesenvolvimento, como dificuldades de aprendizado e no uso da linguagem, agitação sem explicação clara e comportamentos repetitivos.

    Além disso, as descobertas do estudo podem ajudar em trabalhos futuros sobre a relação entre microbioma intestinal e autismo.

    No entanto, o estudo apresenta limitações: os dados não permitem determinar se as diferenças no microbioma intestinal causam o autismo ou se são consequências de dietas e outros fatores ambientais relacionados às crianças que vivem no espectro. Além disso, a pesquisa precisa ser replicada por outros grupos e em diferentes populações para validar os resultados.

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