Avanço da pandemia na Índia derruba entregas de vacinas pelo consórcio Covax

Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), parceiro da organização, diz que iniciativa deve perde 140 milhões de doses por aumento da demanda indiana

Vacinas do consórcio Covax são descarregadas em aeroporto no Sudão
Vacinas do consórcio Covax são descarregadas em aeroporto no Sudão Foto: Mahmoud Hjaj - 3.mar.2021/Anadolu Agency via Getty Images

Lindsay Isaac e Livvy Doherty da CNN

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O consórcio Covax Facility, esquema global de compartilhamento de vacinas contra o novo coronavírus, deve ter um déficit de 140 milhões de doses como resultado do avanço da crise de Covid-19 na Índia, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um dos parceiros da organização.

O Unicef disse em um comunicado que esperava que a Covax tivesse entregue 170 milhões de doses de vacinas esta semana, mas a falta de oferta da Índia –  sede do Serum Institute of India, maior fabricante mundial de vacinas – resultou em uma “redução severa” nos imunizantes disponíveis para o esquema de distribuição igualitária de vacinas.

“Entre as consequências globais da situação na Índia, um centro global para a produção de vacinas, está uma redução severa nas vacinas disponíveis para a Covax. O aumento da demanda doméstica significa que 140 milhões de doses destinadas à distribuição para países de baixa e média renda até o final de maio não podem ser acessadas”, diz o comunicado do Unicef.

“Provavelmente, outras 50 milhões de doses serão perdidas em junho. Isso, somado ao nacionalismo da vacina, à capacidade de produção limitada e à falta de financiamento, é a razão pela qual a aplicação dos imunizantes contra o novo coronavírus está tão atrasado”, complementa o texto.

O Unicef alertou que “os casos estão explodindo e os sistemas de saúde estão lutando em países próximos – como Nepal, Sri Lanka e Maldivas – e distantes, como Argentina e Brasil”.

Antes de uma reunião do G7 no próximo mês, o fundo da ONU convidou os membros e o grupo “Team Europe” dos estados-membros da União Europeia (UE) a doar 20% de seu suprimento disponível durante o verão, totalizando cerca de 153 milhões de doses.

O Unicef também afirmou que esses países poderiam fazê-lo sem deixar de cumprir com seus compromissos com a vacinação de seus próprios cidadãos.

“Enquanto alguns membros do G7 têm maior oferta do que outros, e alguns têm implementações internas mais avançadas, um compromisso coletivo imediato para reunir o excesso de oferta e compartilhar o fardo da responsabilidade pode impedir que os países vulneráveis ??se tornem o próximo hotspot global”, acrescentou o comunicado.

“As doses em excesso disponíveis são uma medida paliativa mínima, essencial, de emergência, e necessária agora.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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