Covid-19: número de municípios sem mortes aumenta 48% em agosto, diz levantamento

O estudo, que reúne informações dos 5.570 municípios brasileiros, revelou que em agosto 2.500 deles não registraram mortes causadas pelo novo coronavírus

Em agosto, 2.500 municípios brasileiros não registraram mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus
Em agosto, 2.500 municípios brasileiros não registraram mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus Breno Esaki/Agência Saúde DF

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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Um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, realiza o monitoramento de casos e mortes de Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia, em março de 2020. Com base em dados das secretarias estaduais de Saúde, os pesquisadores descobriram que no mês de agosto o número de municípios que não registraram óbitos pela doença no país cresceu 48% em relação ao mês anterior.

O levantamento, que agrega informações dos 5.570 municípios brasileiros, revelou que em agosto 2.500 deles não registraram mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus. O número supera a marca de 1.678 verificada em julho. O trabalho é liderado pelo pesquisador Wesley Cota, da UFV.

“Os dados são agregados pelos estados e pelo Ministério da Saúde. Com base nessas informações, os resultados são levantados. O arquivo agrega informações por data, e os novos casos e óbitos são somados por mês. Depois, faço um cálculo de quantos municípios aparecem com os registros maior do que zero naquele mês”, explica Wesley.

Tendência de queda de óbitos no país

Para a infectologista Raquel Stucchi, do Hospital de Clínicas da Universidade de Campinas (Unicamp), os índices refletem o avanço da vacinação, especialmente o esquema completo de duas doses para pessoas mais vulneráveis ao desenvolvimento de quadros graves e mortes pela Covid-19, como os idosos.

“Aquela população que estava com maior risco de internação, doença grave e de morte, de mais de 50 ou 60 anos, completou a segunda dose da vacina na maior parte dos municípios”, afirma.

A especialista reforça que a redução no número de casos e óbitos no país não deve ser entendida como motivo de relaxamento das medidas de prevenção. “Infelizmente, como temos a variante Delta, isso não nos dá tranquilidade. Sabemos que ela tende a ocupar o espaço com rapidez. Para manter os índices baixos em relação ao número de casos, internações e óbitos, precisamos ter uma porcentagem de vacinação completa na população”, alerta.

Para a infectologista da Unicamp, a manutenção das medidas chamadas não farmacológicas, como o uso de máscaras, a higienização das mãos com regularidade e o distanciamento social, é essencial para evitar o aumento do número de casos e óbitos no país.

“Não é o momento de relaxamento. Nós sabemos que entre quatro e seis semanas a variante Delta deve ocupar os espaços, ela é transmitida mais facilmente inclusive em locais abertos. A máscara é necessária também nesses locais”, afirma.

Segundo a especialista, o momento também é de atenção para as pessoas que fazem parte do público-alvo da campanha de vacinação com a terceira dose no país, incluindo pessoas acima de 70 anos e imunossuprimidos. “Precisamos caminhar com a segunda dose e garantir a proteção dessa população que já foi vacinada há mais tempo e, pela idade, sabemos que após seis meses começa a perder a proteção”, concluiu.

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