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    Cresce o número de overdoses não fatais em adolescentes nos EUA, aponta estudo

    Aumento parece ser impulsionado por estimulantes, como cocaína, e anfetaminas, como metanfetamina e ecstasy, de acordo com a pesquisa

    Nadia Kounang e Sandee LaMotte, da CNN

    Embora as overdoses de drogas em geral sejam raras entre os jovens, as não fatais aumentaram em crianças e adolescentes com menos de 15 anos entre 2016 e 2019 nos Estados Unidos, de acordo com um novo estudo feito no país.

    O aumento parece ser impulsionado por estimulantes, como cocaína, e anfetaminas, como metanfetamina e ecstasy, de acordo com a pesquisa publicada nesta segunda-feira (7) na revista “Pediatrics”.

    Se a tendência continuar em 2020, pode ser um alerta para os pais, já que as overdoses de drogas parecem ter aumentado durante a pandemia.

    “Mais de 40 estados relataram aumentos na mortalidade relacionada aos opioides, além de preocupações contínuas com aqueles com doença mental ou transtorno de uso de substâncias”, disse a American Medical Association (AMA) em um relato recente.

    Análise de dados de emergência

    Pesquisadores do Centro Nacional para Prevenção e Controle de Lesões, órgão que faz parte dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos Estados Unidos, analisaram quase 90 milhões de atendimentos de emergência de jovens de até 24 anos entre abril de 2016 e setembro de 2019.

    A análise foi dividida por grupos de idade: crianças de 0 a 10 anos, adolescentes de 11 a 14 anos e adolescentes e jovens adultos de 15 a 24 anos.

    Segundo o estudo, overdoses associadas a estimulantes aumentaram nos três grupos de idade quando medidas como uma mudança percentual média trimestral durante o período de três anos e meio. Os autores observam um aumento paralelo no uso de estimulantes na população adulta.

    Houve uma boa notícia: casos suspeitos de overdose de heroína entre jovens de 15 a 24 anos diminuíram durante o mesmo período.

    “Embora mais pesquisas sejam necessárias para indicar se esses padrões continuam e para identificar os medicamentos específicos que impulsionam os aumentos, nossos resultados sugerem que intervenções direcionadas, mesmo com crianças pequenas, como abordagens multifacetadas, incluindo aquelas feitas na escola, em família e nos provedores de saúde, podem ajudar a evitar overdoses que requerem tratamento médico”, escreveu o autor principal do estudo, doutor Douglas Roehler, epidemiologista do CDC.

    Diferença por faixa etária

    Entre crianças de 0 a 10 anos, o estudo descobriu que houve uma média de 22,3 overdoses de drogas a cada 10 mil atendimentos de emergência. A taxa para jovens de 11 a 14 anos de idade foi quase o dobro, com 43,2 overdoses por 10.000 registros, quase dobrando novamente para jovens de 15 a 24 anos a uma taxa de 85,2 overdoses de drogas por 10 mil atendimentos.

    “Apesar da raridade dessas overdoses suspeitas e dada a idade desses pacientes e a provável natureza não intencional em muitos desses casos, os esforços para interromper essas tendências crescentes são importantes”, escreveram Roehler e seus colegas.

    Para crianças de 0 a 10 anos de idade, a taxa de overdoses envolvendo todos os medicamentos aumentou 2% em média por trimestre. Quando discriminados por tipo de droga, houve um aumento médio de 1,5% na taxa de overdoses de opioides envolvidos por trimestre, e um aumento médio de 3,3% por trimestre para overdoses por estimulantes.

    Para crianças de 11 a 14 anos, a taxa de overdoses envolvendo todos os medicamentos aumentou em média 2,3% por trimestre. Na divisão por tipo de droga, o aumento médio da taxa trimestral foi de 1,9% para overdoses com opioides envolvidos e 4,3% para overdoses com estimulantes.

    A taxa de overdoses de todas as drogas, na verdade, caiu no grupo de jovens de 15 a 24 anos, em uma média de -0,4% por trimestre. Discriminadas por tipo, as overdoses com opioides caíram 0,6% em média por trimestre, enquanto a taxa de overdoses com heroína diminuiu em média 3,3% por trimestre.

    No entanto, a taxa de estimulantes envolvidos em overdoses para a mesma faixa etária aumentou nesse mesmo período, a uma média de 2,3% ao trimestre.

    Conselhos para os pais

    Os pais podem ajudar a prevenir uma overdose em seus filhos seguindo esses conselhos, reunidos pela organização Partnership for Drug-Free Kids.

    Mantenha os analgésicos controlados fora de casa: guarde todos os comprimidos que você deve usar bem trancados e descarte-os quando terminar o tratamento com analgésicos vendidos sob receita.

    “Embora possa ser tentador manter os medicamentos para a dor ‘apenas no caso de você precisar deles’, a ação mais segura é descartar todos as drogas vencidas ou não usadas, já que a família e os amigos são a principal fonte de analgésicos”, afirmou a associação.

    Continue conversando: conversas profundas e contínuas com adolescentes e jovens adultos sobre os riscos do uso de substâncias, incluindo medicamentos prescritos, opioides e estimulantes, podem ajudar seu filho a entender as armadilhas de correr atrás de uma sensação rápida provocada pela droga.

    Encontre alternativas: peça ao seu médico para ajudá-lo a encontrar alternativas não opioides para controlar a dor de seu filho em caso de lesões, cirurgias, tratamentos dentários e outras situações em que o controle da dor seja necessário. Isso é especialmente crítico se a criança já tiver problema com o uso.

    Aprenda a ler os sinais. Existem vários sinais que podem apontar para o abuso de substâncias, incluindo:

    •    Fadiga, sonolência e mudanças nos padrões de sono
    •    Pupilas dilatadas e olheiras
    •    Perda de peso rápida
    •    Deterioração da higiene ou aparência pessoal
    •    Queixas de saúde, como constipação ou náusea
    •    Isolamento da família e amigos ou mudança de amigos
    •    Matar aula ou trabalho e queda nas notas ou no desempenho
    •    Mudanças de humor, como agitação, aumento da depressão ou ansiedade e falta de interesse em hobbies e atividades recreativas
    •    Mais pedidos de dinheiro por motivos questionáveis ou perder dinheiro ou objetos de valor
    •    Uso de camisas de mangas compridas em clima quente (pode estar associado ao uso de drogas injetáveis)
    •    Frascos de comprimidos prescritos ausentes ou vazios ou prescrições preenchidas na farmácia sem o seu conhecimento
    •    Presença de instrumentos usados no preparo de drogas para consumo, como seringas ou agulhas hipodérmicas, cadarços ou um pedaço de mangueira ou faixa de borracha, tampas de garrafa e colheres de cozinha, bolas de algodão, filtros de cigarro, papel alumínio, isqueiros ou velas e canudos

    Procure ajuda: faça uma avaliação para determinar suas opções de tratamento se seu filho estiver fazendo mau uso de medicamentos prescritos, opioides e estimulantes.

    “O tratamento abrangente e baseado em evidências funciona – quanto mais cedo você intervir e agir, melhor”, afirmou a organização Partnership for Drug-Free Kids.

    Esteja preparado: Obtenha e aprenda a usar Naloxona (disponível no mercado norte-americano, mas não aprovada no Brasil) como medida de precaução contra overdose.

    “Você deve ter sempre a naloxona disponível para você e seu filho, apenas para garantir, como se fosse um kit de primeiros-socorros”, sugeriu a Partnership for Drug-Free Kids. 

    “O medicamento pode ser comprado na maioria das farmácias [dos EUA] ou adquirido por meio de organizações comunitárias que oferecem treinamento e kits gratuitos.”

    (Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).