Entenda por que as máscaras do tipo PFF2 são mais eficazes contra a Covid-19

Uso correto da ferramenta é uma das alternativas mais seguras para prevenir a infecção pela variante Ômicron do novo coronavírus e de outros vírus respiratórios, como o influenza

Para que a qualquer tipo de máscara tenha a máxima eficiência, é fundamental que a peça esteja ajustada ao rosto
Para que a qualquer tipo de máscara tenha a máxima eficiência, é fundamental que a peça esteja ajustada ao rosto Karl Tapales/Getty Images

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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As máscaras N95 – que no Brasil são padronizadas com a sigla PFF2 –, consideradas o padrão-ouro para proteção, são uma das alternativas mais seguras para prevenir a infecção por vírus respiratórios, como o novo coronavírus, causador da Covid-19, e o influenza, responsável pela gripe comum.

Além de reter gotículas que podem ser emitidas durante a fala, tosse ou espirro, essas máscaras protegem contra aerossóis que podem conter vírus, bactérias e fungos.

Segundo a médica infectologista Raquel Muarrek, as siglas PFF2 e N95 estão associadas à alta capacidade de filtração dessas peças faciais.

“São máscaras classificadas com grau de filtração de partículas, Elas são projetadas considerando uma análise dos vários níveis de risco para as pessoas, de acordo com os ambientes de trabalho interno ou externo. Ela protege mais por ter essa alta filtração”, explica Raquel.

O uso de máscara em locais públicos é recomendado como estratégia para a prevenção contra a Covid-19 desde o primeiro ano da pandemia. A emergência da linhagem Ômicron do novo coronavírus, identificada e classificada como variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em novembro de 2021, destacou a importância do reforço nas medidas de prevenção contra a doença.

De acordo com a OMS, a cepa apresenta uma alta transmissibilidade em relação à linhagem original do vírus e comparada às demais variantes do coronavírus. Embora esteja sendo associada a quadros clínicos mais leves, infectologistas reforçam que as medidas de proteção devem ser mantidas.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Max Planck, da Alemanha, revelou que máscaras do tipo PFF2 oferecem quase 100% de proteção contra o coronavírus.

Maior capacidade de proteção

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os respiradores com classificação PFF2 seguem as normas brasileiras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a norma europeia e apresentam eficiência mínima de filtração de 94%. Já as máscaras N95 seguem a norma dos Estados Unidos e apresentam eficiência mínima de filtração de 95%.

O reforço da PFF2 está nas seguintes camadas de proteção: externa, de fibra sintética de polipropileno; do meio, de fibras sintética estrutural; camada filtrante de fibra sintética com tratamento eletrostático, e camada interna de fibra sintética de contato facial.

Embora tanto a máscara cirúrgica quanto as máscaras N95 com filtro PFF2 contenham um elemento filtrante, a máscara cirúrgica não protege adequadamente de microrganismos transmitidos por aerossóis uma vez que não mantém uma vedação adequada.

Orientações sobre o uso da PFF2

Para que qualquer tipo de máscara tenha a máxima eficiência, é fundamental que a peça esteja ajustada ao rosto, cobrindo o nariz e a boca, de forma a garantir o poder de filtração.

As máscaras do tipo PFF2 são ideais para ambientes fechados e com maior risco de exposição ao novo coronavírus, como unidades de saúde, hospitais e laboratórios, que são áreas com o maior risco de aspersão de gotículas que permanecem no ar.

Esse tipo de máscara pode ser utilizado mais de uma vez. O tempo de validade é variável e está condicionado ao período de utilização em relação ao risco de exposição. Conservadas da maneira adequada, podem ser usadas de sete a 15 dias.

O ideal é ter uma máscara para cada dia de exposição: se você trabalha de segunda a sexta, deve ter cinco máscaras, por exemplo. Cada uma deve ficar em descanso de 3 a 5 dias, em ambiente arejado, longe do alcance de crianças e animais e sem exposição direta à luz do sol.

A higienização pode levar à quebra da barreira de proteção, comprometendo o uso. Portanto, essas máscaras não devem ser higienizadas ou lavadas. O ideal é conservar o material sem dobrar ou amassar, de modo a preservar a eficácia da filtração.

“As máscaras N95 não são indicadas para crianças, primeiro pelo lado anatômico, depois pelo risco e pela forma como elas respiram. O ideal é que até dois anos não se use máscara, até seis anos se use  máscaras cirúrgicas simples, desde que seja assistido por um adulto, acima dessa faixa etária é também é recomendado o uso das máscaras cirúrgicas”, afirma Raquel.

As máscaras filtrantes podem ser utilizadas isoladamente, sem a combinação com outros tipos de máscaras. As várias camadas de filtragem oferecem proteção contra os diferentes tipos de vírus respiratórios.

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