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    Inquérito sorológico de SP é ‘inútil’ para determinar volta às aulas, diz médico

    Segundo Fabio Jung, as crianças não estão em isolamento absoluto e estão se infectando com o coronavírus

    Após seis meses de paralisação, imposta pela pandemia do novo coronavírus no país, as escolas de 120 cidades do estado de São Paulo retomarão parcialmente as atividades presenciais nesta terça-feira (8).

    A reabertura vale tanto para a rede privada quanto para a pública, que vai funcionar em sistema de rodízio de alunos.

    Em entrevista à CNN, Fabio Jung, médico e pesquisador, afirmou que o inquérito sorológico realizado na cidade de São Paulo, que monitora as crianças e as preparam para o retorno, é “absolutamente inútil para determinar a volta às aulas”. O especialista também avaliou o cenário de retomada das atividades escolares no estado.

    “Nunca houve essa compreensão [sobre a transmissão de Covid-19 por crianças]. Na verdade, é um absurdo este inquérito sorológico que está sendo feito na cidade de São Paulo. Ele é absolutamente inútil para determinar a volta às aulas. No máximo ele é uma curiosidade interessante durante uma pandemia”, afirmou.

    De acordo com o pesquisador, o grau de crianças assintomáticas e a porcentagem é parecida com a dos adultos. Além disso, segundo ele, os menores estão se infectando na mesma proporção. 

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    O médico e pesquisador Fábio Jung
    O médico e pesquisador Fábio Jung
    Foto: Reprodução/CNN

    “Portanto, [as crianças] não estão em isolamento absoluto e a volta às aulas não vai acelerar ou desacelerar o que já está acontecendo em suas residências ou comunidades. Principalmente naquelas comunidades mais pobres, onde a condição de moradia é muito aglomerada e elas já estão infectando. Por isso, não vejo nenhuma utilidade neste inquérito na definição da volta às aulas”, completou. 

    Quanto à segurança para a retomada das aulas, o especialista afirma que o grau de contágios de pessoas que frequentam as instituições não é diferente da incidência da doença em pessoas que estão saindo para atividades básicas.

    “Na verdade, o grau de segurança é muito grande. Isso já foi observado em mais de 20 países que retomaram as aulas. O grau de contágio das pessoas que frequentaram as escolas não é diferente da incidência nas pessoas que estão indo ao supermercado, por exemplo. (…) Obviamente, isto não é isento de riscos”, pontua. 

    Questionado quanto às regras necessárias para a retomada em segurança, o médico reforçou a importância do distanciamento social e utilização das máscaras.

    “Levantamos as condições de diversos países que voltaram às aulas (…) As medidas são bem básicas como o retorno gradual e, no primeiro momento, deve ser oferecido a alternativa de continuar [com as atividades] online. Além disso, manter o distanciamento social entre as classes, criar um grupo que vai ficar sempre junto nas aulas e durante o recreio, uso de máscaras, disponibilizar álcool em gel e com observação dos índices epidemiológicos”, finalizou.

    Sala de aula vazia
    Sala de aula vazia por conta do isolamento social
    Foto: Reprodução/CNN

    Também em entrevista à CNN, Marcelo Otsuka, Coordenador de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBIm) avaliou o cenário para a volta às aulas. De acordo com ele, é necessário treinar professores e colaboradores para que se tenha uma rotina segura. 

    “Para pensarmos em retorno das aulas, será necessário termos toda uma rotina para que isso funcione corretamente. Seja no transporte da criança para a escola ou os responsáveis por ela em casa, sendo grupos de risco ou não. Nas escolas os cuidados também devem ser mantidos, seja no aparelhamento das escolas em relação aos insumos, tanto no treinamento dos professores e dos colaboradores. Esse é um cuidado que eu não tenho visto com tanta atenção”, afirma.

    O especialista também concorda que é essencial ter um retorno parcial das aulas para que o risco de contágio seja menor. 

    “A proposta de você fazer por grupos, um retorno parcial para que o risco seja menor e sempre pensando se estas crianças têm alguma epidemiologia que possa sugerir a possibilidade de doença. São uma série de fatores que devem ser pensados. As crianças precisam voltar para escola porque elas estão sendo muito prejudicadas”, completa.

    “Se você puder continuar fazendo ensino à distância sem o prejuízo do seu filho, é melhor. Mas a gente sabe que grande parte da população não tem essa possibilidade (…) Os pais têm que ter a consciência de que eles transmitem para as crianças, portanto, eles têm que estar se cuidando adequadamente. Além disso, é necessário educar as crianças para as questões ligadas à saúde”, finaliza.

    (Edição: André Rigue)