Memória dos anticorpos contra a Covid-19 pode durar meses, diz estudo

Proteção desencadeada em resposta a infecções leves pode permanecer por pelo menos 11 meses, segundo pesquisa publicada na revista científica Nature

Foto: Trnava University/Unsplash

Virginia Langmaid

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Os anticorpos contra a Covid-19 produzidos pelo sistema imunológico em resposta a infecções leves podem continuar detectáveis por pelo menos 11 meses após à contaminação. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Nature nesta semana.

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 77 pessoas que haviam sido infectadas com o novo coronavírus. Observaram que houve uma redução de anticorpos nas amostras logo após a infecção. Essa diminuição, no entanto, começou a desacelerar no período entre 4 e 11 meses. 

Também foram analisadas amostras da medula óssea de 18 pacientes previamente infectados com o Sars-CoV-2 para medir a presença de células plasmáticas da medula óssea, que são importantes para proteger os anticorpos e promover uma resposta imune de longo prazo contra o vírus.

Essas amostras continham células plasmáticas de vida longa (BMPC, na sigla em inglês) que produzem anticorpos contra a Covid-19. Os pesquisadores observaram que os níveis de BMPC se mantiveram estáveis nesses pacientes de 7 a 11 meses após a infecção.

“Estamos procurando a fonte desses anticorpos que são produzidos por células da medula óssea”, disse à CNN Ali Ellebedy, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington e um dos autores do estudo.  “Observamos que nas pessoas que haviam se infectado em até um ano essas células se mantiveram estáveis e produzindo anticorpos”, explicou

Benefícios da “memória” dos anticorpos 

Os pesquisadores disseram que a presença das células BMPC não significa que elas automaticamente desencadearão uma forte resposta imunológica em caso de reinfecção, mas existe um potencial de proteção de longa duração. “Quando existem os anticorpos, eles têm uma boa memória. E ela pode ser muito boa se houver bastante anticorpos e se o vírus não se modificar”, afirmou Ellebedy.

O pesquisador esclareceu ainda que a presença de anticorpos no organismo não significa que ele esteja completamente protegido. Mas disse que é bastante animadora a presença dessas células, que estão prontas para entrar em ação caso tenhamos um primeiro contato com o vírus ou nos exponhamos a ele novamente.

(Texto traduzido. Leia o original, em espanhol)

 

 

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