‘Não há plano B’, diz David Uip sobre necessidade de isolamento social

O coordenador do Centro de Contingência de São Paulo reforçou a recomendação em dia com recorde de vítimas fatais da COVID-19 no estado.

Da CNN, em São Paulo

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O médico e coordenador do Centro de Contingência da COVID-19 em São Paulo, David Uip, reforçou nesta terça-feira (28) em entrevista à CNN a necessidade da manutenção do isolamento social como forma de prevenir o contágio pelo novo coronavírus. “Não há plano B. Não temos, nem teremos pelos próximos meses uma vacina. Torcemos para que se descubra um remédio efetivo, mas no momento, [o isolamento] é o que temos”, disse.

A recomendação acontece no dia em que o estado de São Paulo registrou o recorde de 224 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas. Ao todo, a doença já fez mais de 2.000 vítimas no estado.

No entanto, a taxa de isolamento vem diminuindo. Na segunda-feira (27), apenas 48% da população seguiu a orientação, segundo o governo paulista. O índice ideal para controlar a transmissão seria de 70%.

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“A gente vê que as pessoas estão abrindo mão do que tem sido fundamental para conter a pandemia. Os números do monitoramento do estado já vêm mostrando isso e é extremamente preocupante, porque estamos tendo aumento no número de casos e de mortes”, disse Uip.

O médico contou que em 45 anos de profissão, já observou diversos surtos de doenças, mas observa novidades com a COVID-19. Há cerca de um mês, o próprio Uip teve a doença.  

“A Sars começou com ímpeto, mas desapareceu. Na H1N1, logo surgiu medicamento e vacina. Esse vírus [o Sars-CoV-2, causador da COVID-19] está mudando constantemente. Aprendo todos os dias e aprendo sofrendo, porque essa situação gera grande sofrimento à população, aos profissionais de saúde e aos gestores”, disse.

Tráfego de carros na av. Nove de Julho, em SP, durante quarentena
Tráfego intenso de carros na av. Nove de Julho, na capital paulista, durante quarentena
Foto: CNN (28.abr.2020)

 

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