‘Não há proteção sem a segunda dose’, alerta epidemiologista

Carla Domingues defende a importância de se ter o maior número possível de pessoas vacinadas com as duas doses antes de abertura geral

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN na tarde deste sábado (31), a epidemiologista ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) entre 2011 e 2019, Carla Domingues, afirma que a principal preocupação em relação à vacinação no Brasil hoje está na quantidade de pessoas que não estão retornando para a segunda dose, que é o que garante a imunização completa. “Campanhas sobre a importância de se tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19 deveriam ser prioridade no Brasil”.

Apesar de estarmos avançando na vacinação, com a marca no Brasil de 100 milhões de pessoas que receberam a primeira dose, a grande preocupação é quantidade de pessoas que não retornou para a segunda dose. “Não há proteção sem o esquema completo, principalmente diante da variante Delta. A população precisa voltar para que a gente tenha o maior número de pessoas protegidas”, alerta.

Carla defende que se tenha uma campanha publicitária forte para que as pessoas voltem aos postos de vacinação para terminar de se imunizar. “Precisa martelar na cabeça das pessoas a importância da segunda dose. Foi assim que a gente conseguiu erradicar a pólio e eliminar o sarampo. Muitas pessoas ainda não estão convencidas da importância da segunda dose, ou tiveram efeitos colaterais e estão com medo. Precisamos esclarecer que esses efeitos são comuns, leves, e não levam riscos à saúde“, diz a epidemiologista.

Outro ponto citado por Carla é a desigualdade na faixa etária de quem está sendo imunizado, dependendo de onde vive. “Tem cidade que ainda está vacinando 40 anos e outras, adolescentes. O objetivo é diminuir gravidade, hospitalização e óbito, então precisamos garantir que a população de 40 anos esteja com as duas doses, para depois começa a baixar. Quando estamos vacinando adolescente e deixando de vacinar quem tem 40, estamos distribuindo a vacina de forma desigual, criando condições de ter mais pessoas adoecendo em um estado do que outro”, avalia.

A epidemiologista Carla Domingues (31.Jul.2021)
A epidemiologista Carla Domingues (31.Jul.2021)
Foto: Reprodução/CNN

A epidemiologista acredita que a reabertura das atividades pode sim ser flexibilizada, mas precisa ser tratada com cautela. “A população precisa subsistir mas, se abrir de forma desordenada, teremos de fazer lockdown outra vez e hospitais podem ficar lotados de novo. Ainda não temos condições de fazermos uma abertura geral e irrestrita. Temos uma população ainda com baixa cobertura da segunda dose, 1000 pessoas morrendo por dia. É um risco grande”.

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