Não precisamos de reforço, proteção para doenças graves continua, diz infectologista

À CNN, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, Denise Garrett, afirma que, na falta de doses, prioridade deve ser garantir segunda dose a quem já recebeu a primeira

Produzido por Renata Souzada CNN

em São Paulo

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As autoridades sanitárias dos Estados Unidos, juntamente com o governo, anunciaram que toda a população do país receberá a terceira dose da vacina contra a Covid-19 a partir de setembro. A determinação se aplica às vacinas da Pfizer e da Moderna. No Brasil, a Anvisa recomendou ao PNI (Programa Nacional de Imunização) que considere a possibilidade de indicar uma dose de reforço, em caráter experimental, aos grupos que receberam duas doses da Coronavac.

No entanto, a infectologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, Denise Garrett, disse à CNN que os imunizantes administrados no Brasil ainda oferecem alta proteção para doenças graves e mortes.

“As vacinas ainda continuam funcionando, e muito bem, para a prevenção de doença mais grave, de hospitalização e de óbitos.”

Na abordagem dela, vacinar a população em geral não é o mais indicado, já que a capacidade de produzir anticorpos só é comprometida entre os idosos e imunossuprimidos.

“Nestes dois grupos justificaria, sim, uma terceira dose neste momento, mas para a população em geral a gente ainda não tem dados que justifiquem uma terceira em outros grupos exceto estes dois que mencionamos.”

Garrett ressalta que “a queda de níveis de anticorpos é normal de ocorrer” com o passar do tempo, mas até o momento não há nenhum indício de que seja necessário revacinar a população adulta.

“A gente tem um pouco maior de doenças sintomáticas entre os vacinados, mas no geral, na enorme maioria, em mais de 90%, são casos leves e até mesmo assintomáticos’, diz.

Queda de proteção em idosos

Denise Garrett comentou que estudos recentes conseguiram comprovar que a população idosa teve queda nos níveis de produção de anticorpos contra a Covid-19. “Tem um artigo que saiu essa semana sobre proteção entre os idosos, que realmente está caindo, seria já o momento de proteger esses idosos. Esse grupo que está vulnerável, porque é um grupo de um risco maior, é um grupo que tem uma tendência a uma doença mais grave e óbitos.”

Dessa maneira, ela diz que embora a vacinação de adolescentes e crianças seja essencial, se houver escassez de doses, será preciso, antes, garantir a segunda dose a quem já recebeu a primeira.

“Na falta de quantitativos, na falta de doses de vacina, tem que haver uma certa priorização, com certeza, e tem que haver uma estratégia para melhor proteger a saúde da população e melhor diminuir o avanço da variante Delta no Brasil. E, nesse sentido, é essencial que todo mundo que tomou a primeira dose, tome a segunda”, conclui.

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