O que é verdade sobre ‘tratamento precoce’ contra a Covid-19

A CNN separou algumas dúvidas que podem surgir com informações que circulam na internet. Confira as respostas checadas com fontes oficiais e especialistas

Da CNN

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A CNN separou algumas dúvidas que podem surgir com base em informações que circulam na internet. Confira as respostas checadas com fontes oficiais e especialistas no assunto.

É verdade que um artigo publicado na revista “The American Journal of Medicine” indica que o tratamento precoce para a Covid-19 com medicamentos – ivermectina, nitazoxanida, cloroquina, zinco, remdesivir, azitromicina etc – pode resolver o “processo viral” da doença?

Não é verdade.

A revista “The American Journal Of Medicine” publicou, em 6 de agosto de 2020, um artigo que sugere uma combinação de medicamentos para tratamento da Covid-19. O estudo, porém, esclarece que esta recomendação é baseada em experiência ambulatorial obtida até aquele momento.

Não havia nenhum estudo clínico capaz de atestar a eficácia do tratamento. Após a publicação do artigo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a divulgar estudos que indicam a ineficácia de medicamentos, como remdesivir e cloroquina, no tratamento da Covid-19.

A agência regulatória norte-americana, o FDA, elenca uma lista de medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19. Entre eles: fosfato de cloroquina, sulfato de hidroxicloroquina e ivermectina.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) não recomenda tratamento precoce para Covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais.

Não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19. A orientação da SBI está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).

Plasma de cavalos pode curar a Covid-19?

Não é verdade.

O Instituto Vital Brazil, situado no Rio de Janeiro, estuda soros produzidos por cavalos para o tratamento da Covid-19.

A pesquisa teve início em maio de 2020, quando os plasmas de cavalos foram inoculados com a proteína S recombinante do novo coronavírus.

Após 70 dias, os plasmas equinos apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença.

Foi criado, então, o soro anti-SARS-CoV-2, produzido a partir de equinos imunizados. O Instituto Vital Brazil anunciou, em agosto do ano passado, a patente do produto que ainda precisa ter o estudo clínico realizado com voluntários humanos.

A Ivermectina elimina 97% dos vírus nas células em 48 horas?

Não é verdade.

Um estudo australiano publicado em abril de 2020 descreve o efeito da ivermectina no SARS-Cov-2 em ambiente de laboratório. A análise foi realizada in vitro.

De acordo com a agência regulatória norte-americana, o FDA, esse tipo de estudo laboratorial é comumente usado em um estágio inicial de desenvolvimento de medicamentos.

A agência adverte que testes adicionais são necessários para determinar se a ivermectina pode ser apropriada para prevenir ou tratar a Covid-19.

Por isso, a agência, que é referência global na análise de medicamentos, não recomenda a utilização da ivermectina para esta finalidade.

No Brasil, uma pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (UFS) pretende determinar o efeito da Ivermectina na prevenção da infecção causada pelo novo coronavírus.

O medicamento apresentou, em estudo in vitro, expressiva redução da carga viral do SARS-CoV-2. A Anvisa chegou a se manifestar publicamente, em nota, esclarecendo que não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil.

Segundo o órgão, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas na bula do medicamento.

Há algum medicamento comprovadamente eficaz para curar a Covid-19?

De acordo com a Anvisa, não há medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19.

Os dados de eficácia disponibilizados após estudos clínicos de fármacos são fundamentais para aprovação do uso de medicamentos pela Anvisa.

A informação foi mencionada, inclusive, pelos diretores da agência durante a reunião do último domingo (17), na qual foi aprovado o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford no Brasil.

“Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada disponível para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus”, disse a relatora Meiruze de Freitas.

Uso de máscaras compromete a respiração e aumenta risco de intoxicação por CO2?

Não é verdade.

A suspeita de que o uso de máscaras pudesse causar hipóxia, ausência de oxigênio suficiente para manter as funções do organismo, ou intoxicação por gás carbônico foi desmentida por um estudo publicado por pesquisadores de Miami, em outubro do ano passado.

Os pesquisadores observaram as trocas gasosas em 15 pessoas saudáveis e 15 pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ao usarem máscaras.

Os pacientes com DPOC sofrem com persistente obstrução da passagem de ar nos pulmões. A pesquisa conclui que a interferência da máscara na respiração é mínima, inclusive nos pacientes com pulmão comprometido.

Vacina da SinoVac pode provocar câncer e transmitir o HIV?

Não é verdade.

Essa suposição surgiu, provavelmente, porque algumas das vacinas desenvolvidas no mundo utilizam o adenovírus, que já foi estudado na composição de possíveis vacinas contra o HIV.

Os estudos clínicos realizados com a vacina no Brasil não indicam surgimento de tais doenças em pacientes imunizados com a Coronavac.

Na reunião para aprovação do uso emergencial da vacina chinesa no país, o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, chegou a listar incertezas sobre a Coronavac, dizendo, por exemplo, que os dados entregues pelo Butantan não permitem avaliar a eficácia e segurança da vacina no longo prazo.

A agência prevê a criação?de uma sala de situação para monitorar os eventos adversos das vacinas contra a Covid-19.

 

 

 

 

 

 

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