Ômicron: fechamento de escolas deve ser ‘último recurso’, diz Unicef

Variante já está presente em pelo menos 110 países; no Brasil, são 116 pessoas infectadas com a nova cepa

Foto de ilustração sobre a variante Ômicron do coronavírus
Foto de ilustração sobre a variante Ômicron do coronavírus Reuters/Dado Ruvic

Beatriz Puenteda CNN

Rio de Janeiro

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Com mais de 100 casos confirmados no Brasil, o avanço da variante Ômicron por todo o mundo traz de volta a avaliação sobre o fechamento das escolas pelo mundo para conter a disseminação do vírus.

A Unicef classifica a medida como ‘último recurso’ e entende que uma nova interrupção das aulas seria ‘desastroso’ para as crianças.

O órgão, pertencente as Organizações das Nações Unidas (ONU), estima que a geração de crianças em idade escolar pode perder, coletivamente, US$ 17 trilhões em ganhos potenciais durante toda a vida se as unidades de ensino fecharem novamente.

Em uma nota técnica do Unicef, a diretora executiva do órgão, Henrietta Fore, declarou que a escola deve ser o último lugar a fechar e o primeiro a abrir.

As instituições de ensino funcionam, segundo Fore, como espaços seguros contra violência, fome e situações de vulnerabilidade infantil.

“As evidências são claras: fechamentos prolongados de abrangência nacional; recursos limitados para estudantes, professores e pais; e a falta de acesso ao aprendizado à distância aniquilaram décadas de progresso na educação e tornou a infância irreconhecível. Uma sombra pandêmica de trabalho infantil, casamento infantil e problemas de saúde mental se instalou. Para além da aprendizagem perdida, as crianças perderam a segurança da escola, as interações pessoais diárias com os amigos, o acesso aos cuidados de saúde e, muitas vezes, a sua única refeição nutritiva do dia”, detalhou a diretora executiva da Unicef.

A Unicef também reforçou em nota oficial, que o ano de 2022 deve ser direcionado à educação e aos interesses dos menores.

Sobre a vacinação desse público, no Brasil, a Anvisa recomenda o imunizante da Pfizer para a proteção das crianças de 5 a 11 anos, independentemente de prescrição médica.

A orientação do Ministério da Saúde é a de que haja exigência de prescrição médica e um “termo de consentimento livre declarado” para aplicação da vacina.

Para o diretor da Sociedade Brasileira de Imunização, o pediatra e imunologista Renato Kfouri, a vacinação é a principal estratégia para conter novas ondas de contaminação de Covid-19, seja uma nova cepa ou não.

“Essa é a estratégia da maioria dos países, ampliando a base de vacinados. Uma nova onda sempre atinge desproporcionalmente os não vacinados, assim conseguimos controlar melhor a onda e proteger também as crianças”, explicou Kfouri.

Até o momento, nenhum estado brasileiro sinalizou que irá aderir a essa orientação do Ministério da Saúde, conforme levantamento da Agência CNN. Pelo mens 13 estados já informaram que não seguirão a indicação da pasta: Paraíba, Rio de Janeiro, Bahia, Ceara, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Espírito Santo, Pará, Acre, Paraná e Goiás.

(Com informações de Artur Nicoceli e Giulia Alecrim, da CNN, em São Paulo)

*sob supervisão de Thayana Araujo

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