Planos de saúde criticam inclusão de vacinas na cobertura obrigatória

Ideia foi mencionada hoje pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em reunião do Conselho de Saúde Suplementar, no Palácio do Planalto.

Foto: Getty Images (FatCamera)

Juliana Lopes, da CNN, em Brasília

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Representantes do setor de Saúde Suplementar classificaram como “frágil” e “inconsistente” a proposta do governo de incluir a vacinação contra a Covid-19 na cobertura obrigatória dos planos de saúde.

A ideia foi mencionada nesta segunda-feira (5) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em reunião do Conselho de Saúde Suplementar, no Palácio do Planalto.

Segundo fontes que participaram do encontro, o assunto faz parte de uma lista de propostas de mudanças na operação dos planos de saúde no país. Para sair do papel, a ideia precisa do aval da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), a mudança não deveria ser discutida em um quadro de emergência, como o da pandemia da Covid-19.

“O sufoco da crise nunca é um bom conselheiro para se pensar políticas públicas a médio e longo prazo”, diz o assessor especial da Abramge, Marcus Pestana.

Segundo Pestana, que é ex-deputado federal e ex-secretário estadual de saúde de Minas Gerais, três argumentos principais fragilizam a proposta do Ministério da Saúde.

O primeiro está no campo social. A compra e a oferta de imunizantes pelos planos de saúde, na visão do setor, poderia beneficiar a vacinação de uma parcela mais rica da população, criando desigualdade social no acesso às vacinas. 

Para os representantes dos planos de saúde, se colocada em prática, a proposta construída pelo Governo Federal poderia ainda obrigar os planos de saúde a repassarem o custo unitário dos imunizantes aos usuários.

Pestana explica que os planos de saúde funcionam como uma poupança coletiva, em que todos pagam para alguns usarem, mas em casos de emergenciais. No caso da vacina, essa lógica não se aplicaria e os gastos teriam de ser rateados entre os usuários, já que todos precisam da imunização.

O assessor especial da Abramge reforça ainda um argumento operacional, já que a demanda mundial por imunizantes ainda é maior que a capacidade de produção dos laboratórios.

“Nesse momento, o governo devia concentrar esforços na aquisição e distribuição de vacinas pelo Sistema Único de Saúde”, afirmou.

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