Rejeição da Anvisa para uso da Coronavac em jovens era esperada

À CNN Rádio, Renato Kfouri explicou que os dados apresentados pelo Instituto Butantan eram insuficientes, mas que estudos precisam continuar

Produção de frascos da Coronavac
Produção de frascos da Coronavac Foto: Thomas Peter/Reuters

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo

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A rejeição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a aplicação da Coronavac em faixas etárias de 3 a 17 anos era algo “esperado”, segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.

À CNN Rádio, o infectologista disse que os dados apresentados pelo Instituto Butantan à Agência eram de “um único estudo chinês”, com pouco mais de 500 crianças e adolescentes voluntários.

Isso significa que havia um baixo contingente por cada idade contemplada, além de ter parte da pesquisa ainda em fase 1, com dosagens diferentes do imunizante.

No entanto, Kfouri reforça que a rejeição temporária “não é dizer que a Coronavac não pode ser usada nunca”, só faltam dados. “Os estudos precisam continuar e gerar dados especialmente quanto à segurança.”

“Quando você tem uma vacina para ser utilizada numa população em que o risco de complicação é muito menor, a segurança ganha mais importância, não podemos submeter o grupo a um risco pela vacina maior do que pela doença”, explicou.

Ao mesmo tempo, Kfouri destaca que, apesar de crianças e adolescentes representares uma parcela pequena de hospitalização e óbitos – de 0,35% de mortes em menores de 20 anos –, ela representa duas mil vidas.

“Se somarmos todas as mortes causadas por doenças protegidas por vacinas nesta faixa etária, a Covid-19 matou mais do que todas elas juntas anualmente”, exemplificou.

O desafio, segundo o diretor da SBIm, continua complexo, já que há “falta de vacina para todos”: “Temos que discutir a terceira dose para grupos que respondem mal a um ciclo de duas aplicações, como transplantados, doses de reforço, como para idosos que se vacinaram há 6 meses, além de terminar o público com primeira e segunda doses e imunizar adolescentes com e sem comorbidades.”

Produção por Bel Campos

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