RJ: Profissionais de saúde relatam falta de kit intubação em hospital municipal

Secretaria de Saúde nega falta mas admite o uso controlado dos insumos essenciais para pacientes em ventilação mecânica

Beatriz Puente, Camille Couto e Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro

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UTI Covid-19
Profissionais de saúde denunciam falta de medicamentos para intubação
Foto: CNN Brasil

Profissionais do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, na Zona Norte do Rio, referência para o tratamento da Covid-19 na capital fluminense, afirmam enfrentar a falta de medicamentos como anestésicos, sedativos e relaxantes musculares, usados para fazer a intubação de pacientes com sintomas da doença. A CNN apurou que, para evitar que os insumos faltem para todos os pacientes, as equipes de saúde vêm alternando a medicação recomendada, que são os bloqueadores neuromusculares, com o propofol, que fazem manutenção da anestesia geral.

Segundo um profissional de saúde da linha de frente ouvido pela produção da CNN, o uso do propofol não substitui os bloqueadores e nem pode ser administrado em pacientes por muito tempo. No entanto, pode “segurar” o paciente na ventilação mecânica em situações em que não há alternativa. O uso estaria sendo feito para poupar os bloqueadores neuromusculares, que estariam em falta em várias unidades de saúde.

Outra forma de “economizar” os medicamentos, de acordo com a denúncia, tem sido a diluição dos remédios em soro. Segundo os médicos, quando essa diluição é feita com frequência acaba introduzindo mais líquido no paciente do que o necessário. Um dos profissionais de saúde da unidade relatou que esses pacientes tiveram piora no quadro geral quando tomaram a solução por muito tempo. 

Embora a CNN tenha apurado as informações da escassez dos medicamentos com profissionais da linha de frente na unidade, a Secretaria Municipal de Saúde nega que haja essa situação. Em nota, a direção do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla informou que possui os dois medicamentos e a decisão sobre seu manejo fica a critério médico. 

O Secretário Municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, admitiu o uso controlado desses insumos. “A gente não tem falta, mas está com um uso bem controlado para evitar um consumo desnecessário e manter essa medicação para quem realmente precisa. O gasto nacional está muito grande, têm muitas pessoas do Brasil todo, em todos os estados, internadas em terapia intensiva”, disse.

“A cadeia produtiva não está conseguindo produzir a tempo de fornecer para todos os hospitais. Todos os hospitais estão se compatibilizando, trocando materiais pra que não falte nada para ninguém, que a gente possa garantir que esse medicamento chegue para as pessoas que realmente precisam, inclusive no Gazolla, mas todos os hospitais públicos e privados da cidade do Rio de Janeiro”, completou o secretário.

CREMERJ recomenda suspensão de procedimentos eletivos

Nesta segunda-feira (28), o Conselho Regional de Medicina do Rio expressou preocupação com uma possível falta, no estado do Rio de Janeiro, de fármacos usados em procedimentos recomendados para alguns pacientes com Covid-19. O Conselho recomendou aos médicos cautela na hora de usar esses medicamentos e orientou a interrupção provisória no agendamento de procedimentos anestésico-cirúrgicos eletivos não tempo-sensíveis (que a espera pode agravar), nos quais venham a ser utilizados quaisquer desses medicamentos, com a finalidade de poupá-los para as UTIs.

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