Saúde confirma envio de doses extras de vacinas a SP após divergências

Estado receberá até o final de semana 228 mil doses do imunizante da Pfizer

Frascos da vacina da Pfizer contra o coronavírus
Frascos da vacina da Pfizer contra o coronavírus Foto: Auro Akiin Nassor/FotoArena/Estadão Conteúdo

Tainá Falcão e Natália André, da CNN, em São Paulo e em Brasília

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A partir desta terça-feira (10), o Ministério da Saúde enviará a São Paulo remessas que, até o final da semana, totalizarão 228 mil doses da vacina da Pfizer.

O acerto se deu na segunda-feira (9) a noite, em conversa por telefone entre o ministro Marcelo Queiroga e o governador de São Paulo, João Doria.

Na semana passada, o governo de São Paulo acusou o Ministério da Saúde de não entregar metade das doses previstas para o estado e ameaçou judicializar o assunto.

Até segunda-feira de manhã, São Paulo e o governo ainda não haviam se entendido. O Secretário de Saúde, Jean Gorincheteyn, voltou a dar prazo de 48 horas para o ministério resolver a pendência, a fim de evitar que o caso fosse para a Justiça.

À reportagem, o ministro Marcelo Queiroga confirmou que devolverá as doses ao estado para evitar judicialização e prejuízo ao PNI.

“Nós retivemos 150 mil doses de Pfizer. Eles alegam 228 mil. Nós achamos melhor, para evitar judicialização, fazermos a compensação”, disse.

Mas, ainda segundo Queiroga, pelos cálculos do ministério, São Paulo está devendo doses da Coronavac ao PNI. As áreas técnicas do ministério e da secretaria estadual farão levantamento nos números para checar quantas doses extras do imunizante teriam sido distribuídas a São Paulo. Caso a afirmação do ministério se confirme, a ideia é fazer o desconto com doses da Coronavac.

Fotos – vacinação no Brasil e no mundo

 

“O Ministério da Saúde constatou que existe Coronavac entregue a mais, sobretudo nas últimas pautas”, afirmou ministro.

São Paulo nega que tenha ficado com doses extras do imunizante fabricado pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa SinoVac.

Se ficar comprovado, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que São Paulo se beneficiou por ter o Instituto Butantan dentro do estado, pegando mais doses de CoronaVac do que deveria, o PNI vai repassar menos doses do imunizante nas próximas pautas de distribuição. Além disso, São Paulo receberá, até o final desta semana, as 228 mil doses da vacina da Pfizer. Ou seja, São Paulo devolverá o que teria pego a mais de CoronaVac e também será ressarcido do que a pasta ficou devendo de Pfizer.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta terça (10), que, assim que a pasta notou a questão com a Coronavac, o desconto foi feito com a Pfizer porque estava dentro da mesma pauta de distribuição.

“O estado de São Paulo tem o Instituto Butantan, e o IB entrega as doses diretamente ao estado de São Paulo. Então, em função disso, o MS e o PNI entendem que o estado retirou mais doses do que estava previsto e, sendo assim, o PNI credou em relação à Coronavac. Num primeiro momento, foi feito um acerto descontando dose da Pfizer, mas se entendeu que esse acerto deveria ser feito, se for o caso, com a própria CoronaVac”, detalhou Queiroga.

O secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, que também faz parte das tratativas com São Paulo, já havia informado, nos últimos dias, que o estado de São Paulo tinha sido avisado pela própria pauta de distribuição. Mas Queiroga reforçou que, mesmo assim, depois que se deu o embate com o governador João Doria, manteve contato com o secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, para se chegar a um acordo.

“Se ficar confirmado isso (que SP pegou mais doses do que deveria), o desconto será de Coronavac, de tal sorte que também não comprometa o ritmo de vacinação no estado de São Paulo. A finalidade é tratar todos os estados e municípios de maneira equânime”, completou Queiroga. “Essa é uma questão de menor importância e será resolvida. Eu me preocupo mais com a variante Delta”, concluiu o ministro.

Avanço da vacinação

O Ministério da Saúde acredita que será possível avançar no calendário de vacinação e concluir a imunização dos adultos com a primeira dose em setembro. A conclusão do calendário com a segunda dose “depende de ajustes no prazo entre as doses” da Pfizer.

O ministério pretende liberar a redução do prazo de três meses para 21 dias também em setembro — após finalizar distribuição da primeira dose para o público adulto.

A vacinação de adolescentes está condicionada ao término da vacinação de adultos. O ministério admite que estados como São Paulo e Rio de Janeiro começarão a vacinar antes, de acordo com avanço dos programas estaduais de imunização.

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