Taxa de positividade para Covid-19 aumenta 18 pontos percentuais em 30 dias, diz Abramed

Último boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que aproximadamente 48% dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram decorrentes do coronavírus

Breno Esaki/Agência Saúde DF

Nathalie Hanna Alpacada CNN*

no Rio de Janeiro

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Depois de quase três meses de estabilidade, a taxa de transmissão do novo coronavírus voltou a indicar um novo crescimento da doença no país. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), instituição que representa os laboratórios de diagnóstico, mostra que a taxa de positividade aumentou de 10,2% para 28,8% em apenas 30 dias.

De acordo com o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira (26), aproximadamente 48% dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram decorrentes da doença. Além disso, 84% das mortes por SRAG também estão relacionadas ao coronavírus.

Apesar dos números serem referentes a um período de sete dias, o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, ressalta que essa tendência já vem se repetindo há algum tempo. “Essa propensão vem sendo observada desde a semana epidemiológica de 24 a 30 de abril”, explica, acrescentando que “a estimativa é de 6 mil casos de SRAG na semana epidemiológica de 15 a 21 de maio”.

Gomes afirma que o crescimento no número de casos de SRAG a nível nacional se dá, principalmente, entre a população adulta e o público jovem. Segundo ele, entre as crianças pequenas de até 4 anos, desde fevereiro há uma tendência de elevação.

“Na população adulta, a média móvel de casos semanais teve um aumento de cerca de 82% na comparação com o observado no começo de abril. Nas crianças, o vírus sincicial respiratório (VSR) continua sendo predominante. Nas demais, a Covid-19 é a principal causa entre os casos com identificação laboratorial”, ressalta.

O coordenador do boletim observa que há diversos fatores que auxiliaram no crescimento dos casos, entre eles o relaxamento com o uso de máscara, a falta de adesão à dose de reforço pela população adulta e o período desde o último pico da Covid-19, que ocorreu entre dezembro e janeiro.

“O relaxamento quase que total em relação aos cuidados, como uso de máscara, já tinha levado a esse aumento de SRAG por outros vírus respiratórios em crianças nos meses de fevereiro e março, por conta do retorno às aulas presenciais. Ao mesmo tempo, vimos que as pessoas pensavam que não era necessário ter nenhum cuidado, então tudo isso influencia”, diz.

“Adultos sem dose de reforço e o último pico do coronavírus, que ocorreu já faz 4 meses, fazem com que a imunidade já não esteja tão boa. A dose de reforço foi implementada porque os dados mostraram o quanto ela era importante, especialmente frente à variante Ômicron. É como a vacina anual da gripe, que não chamamos de reforço, mas é basicamente a mesma lógica”, diz o pesquisador.

“Não é dizer que deveríamos ter mantido todas as medidas durante todo esse tempo, mas ao menos usar máscara no transporte público, em lugares fechados ou com muita gente, especialmente no ambiente escolar”, completa.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, afirma que o aumento nos casos de SRAG no período de inverno é normal, mas destaca que necessidade de vigilância para possível aumento no número de casos em comparação aos dois últimos anos.

“O aumento de casos já era esperado e a expectativa é que os casos aumentem mais nos próximos meses por conta do inverno. É natural que tenha após quatro meses da onda anterior. Associado a isso, estamos entrando no período de sazonalidade nas SRAG, que tem um aumento todos os anos, antes mesmo da Covid. A única questão que temos que observar é se o número de casos será superior ao período pré-pandemia, o que pode ser um alarde”, aponta o presidente da SBI.

Vacinação no Brasil

O Ministério da Saúde informou à CNN que mais de 83% da população se vacinou com a primeira dose e 76,7% com a segunda dose ou dose única.

De acordo com a pasta, o governo federal já distribuiu mais de 487,7 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 e cerca de 48 milhões de pessoas estão aptas a receber a dose de reforço. O ministério também recomenda aos estados e municípios que façam a busca ativa da população para completar o esquema vacinal contra a Covid-19.

Chebabo também chama atenção para a cobertura vacinal da dose de reforço, que está baixa para o público brasileiro. Segundo ele, é esperado que tenha um aumento no número de casos de Covid-19, mas se as pessoas não se imunizarem, é possível que os casos se tornem graves.

“O que se sabe é que a subvariante que está crescendo é a BA.2. A vacinação da dose de reforço não está suficiente, o ideal é que chegue a 70% a 80% para que as pessoas não percam a proteção e que não aumentem os casos graves por falta de vacinação”, completa.

Com informações de Rayane Rocha e supervisão de Helena Vieira

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