Tire suas dúvidas sobre a ‘vacina de planta’ autorizada para testes pela Anvisa

Imunizante desenvolvido pela Medicago/GSK adota método de produção diferente de outras vacinas contra Covid-19

Pesquisador trabalha com as plantas utilizadas para a produção da vacina em laboratório da empresa Medicago no Canadá
Pesquisador trabalha com as plantas utilizadas para a produção da vacina em laboratório da empresa Medicago no Canadá Foto: Divulgação Medicago R&D Inc

Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo

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 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quinta-feira (8) a realização de testes clínicos da vacina desenvolvida pelos laboratórios Medicago R&D Inc (Canadá) e GlaxoSmithKline (GSK – Reino Unido) no Brasil. O novo imunizante candidato a registro junto às agências de regulação internacionais se diferencia das demais vacinas disponíveis no mercado por utilizar plantas como principal matéria-prima. 

“O desenvolvimento de vacinas derivadas de plantas do Medicago se difere porque usa plantas vivas como biorreatores para produzir uma partícula não infecciosa que imita o vírus-alvo, sem o uso de nenhum vírus vivo”, explica a Medicago, em seu site, sobre os princípios que baseiam a tecnologia.

A empresa planeja enviar uma vacina pronta para revisão das agências reguladoras ainda em 2021 e afirma ter conseguido avançar rapidamente na fase de testes graças à cooperação internacional. 

Confira abaixo algumas das principais dúvidas inovações prometidas pela vacina:

Qual planta é utilizada no desenvolvimento do antígeno?

A Medicago usa plantas da espécie Nicotiana benthamiana, uma parente do tabaco. Segundo a empresa, “são os hospedeiros experimentais mais utilizados em virologia de plantas, devido principalmente ao grande número de vírus que podem infectá-la com sucesso”.

Como uma vacina à base de plantas é feita?

A vacina contra Covid-19 da Medicago é desenvolvida em cinco etapas, que se dividem em processos de implantação do vírus na planta para que seja possível extrair o imunizante. A empresa detalha nas seguintes etapas:

Síntese: 

Os pesquisadores recebem a sequência do gene do vírus de organizações globais de saúde, sintetizam e introduzem em um vetor de bactérias específico da planta, que é então multiplicado.

Infiltração: 

As plantas são submersas em uma solução contendo o vetor. Um vácuo é aplicado, forçando o ar para fora dos espaços da célula. O vácuo é liberado e a diferença de pressão força o vetor na solução a penetrar nas folhas (infiltração de vácuo).

Incubação:

O maquinário celular da planta atua como minifábricas por 4 a 6 dias e produz partículas semelhantes a vírus, chamadas VLPs (virus like particles, em inglês)

As plantas são colhidas para extrair VLPs – as folhas são removidas e misturadas em uma solução, da qual o material da vacina é isolado e extraído

As VLPs são purificadas para se obter o material final necessário para a vacina. Testes de esterilidade e qualidade relevantes são realizados.

Como esse tipo de age no organismo?

 As VLPs (partículas semelhantes ao vírus) são baseadas na estrutura do coronavírus e são capazes de “alertar” o sistema imunológico, que assimila o material. Essas partículas não possuem material genético central, um fator que tornam as partículas não infecciosas.

Quantas doses serão necessárias?

A vacina é desenvolvida para ser administrada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre a primeira e a segunda aplicação.

Em que etapa estão os testes?

O ensaio clínico autorizado pela Anvisa já passou pelos estudos pré-clínicos. As fases 1 e 2 de análise, que envolvem testes em humanos, são realizadas simultaneamente no Canadá e nos Estados Unidos.

 

 

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