Evento reúne estudantes latinos e vencedores do Nobel para discutir ciência

Evento online contou com a participação de 80 jovens cientistas e 5 ganhadores do Prêmio Nobel, além de representantes das entidades organizadoras

Evento reúne estudantes da América Latina e vencedores do Nobel para discutir futuro da ciência
Evento reúne estudantes da América Latina e vencedores do Nobel para discutir futuro da ciência Reprodução

Talita Amaralda CNN

Em São Paulo

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A Academia Brasileira de Letras, em parceria com o Prêmio Nobel e a Ianas (Inter-American Network of Academies of Sciences), promoveu nesta terça-feira (16) o Diálogo Nobel da América Latina e Caribe – Unidos pela Ciência.

O evento online contou com a participação de oitenta jovens cientistas e cinco ganhadores do Prêmio Nobel, além de representantes das entidades organizadoras.

Durante todo o dia de hoje, ganhadores do prêmio Nobel e estudantes conversaram sobre como a ciência e os cientistas podem ter um impacto positivo na sociedade, de forma eficaz. Entre os temas, os participantes falaram sobre mudanças climáticas, desigualdades, instabilidade política, além dos impactos da Covid-19. A proposta do evento foi inspirar a próxima geração de cientistas a trabalhar juntos para usar a ciência no enfrentamento a esses desafios futuros.

Para o vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2011, Saul Perlmutler, os diálogos representaram um grande ponto de partida para a resolução de diferentes desafios mundiais da sociedade. “É sempre um prazer ouvir o engajamento e o entusiasmo que todos têm quando estão começando. Fica claro como todos estão preocupados sobre como vão ser suas carreiras e como poderão ajudar a sociedade a lidar com problemas do mundo.”

Entre as discussões, os cientistas e estudantes também falaram sobre a importância de ser um pesquisador da ciência. “Percebemos a preocupação deles com a falta de infraestrutura de pesquisa em seus países, se compararmos com Europa, Ásia e Estados Unidos. Achei importante eles terem falado sobre o medo de não serem capazes de combinar a condução da pesquisa com a vida particular e familiar. Eles se sentem um pouco presos no sistema e não acreditam que podem evoluir ou serem capazes de fazer a diferença. São várias questões complexas, mas eles estavam muito empolgados e fizeram perguntas fantásticas. Fiquei bastante surpresa com o nível de preparo deles”, comentou a vencedora do Prêmio Nobel de Química em 2020, Emmanuelle Charpentier.

Durante o diálogo, estudantes universitários de 24 países abordaram sobre questões que incluem responsabilidades dos cientistas e estratégias para a defesa da ciência, além de discutir sobre o poder da colaboração e as implicações sociais desse tema.

“Foi uma experiência maravilhosa. A ciência da América Latina tem muitas coisas para melhorar com uma grande desigualdade social e instabilidade política, porém esse evento me permitiu conhecer a visão dos meus colegas, e foi surpreendente ver que pensamos de forma parecida sobre comunicar a ciência e como ser um bom cientista. É muito importante perceber que estamos unidos pela ciência, não importa de que país nós sejamos”, declarou Ignacio Vega Vasques, da Universidade do Chile.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, agradeceu a parceria do Prêmio Nobel e da Ianas e destacou que o evento é um “poderoso instrumento para motivar os líderes do futuro a trabalharem com ciência.”

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