Fósseis sugerem que ancestrais caminhavam como humanos e escalavam como macacos

O Australopithecus sediba foi uma forma de transição de um antigo parente humano, intermediário entre os humanos e os grandes macacos, concluiu um estudo

Australopithecus sediba foi uma forma de transição de um antigo parente humano, concluiu um estudo
Australopithecus sediba foi uma forma de transição de um antigo parente humano, concluiu um estudo University of Witwatersrano

Hannah Ryanda CNN

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Um antigo parente dos humanos era capaz de andar no chão sobre duas pernas e usar seus membros superiores para escalar e balançar como macacos, de acordo com um novo estudo de fósseis de vértebras de 2 milhões de anos.

Uma equipe internacional de cientistas da Universidade de Nova York, da Universidade de Witwatersrand e de 15 outras instituições estudou ossos lombares encontrados em 2015, que pertenciam a uma mulher Australopithecus sediba, um tipo de hominídeo antigo.

Junto com ossos previamente descobertos do mesmo indivíduo – apelidado de “Issa”, que significa protetor em suaíli – os restos fossilizados formam uma das espinhas dorsais mais completas já descobertas nos primeiros registros dos hominídeos, e dão uma indicação de como esse parente humano teria mudado ao redor do mundo.

Os pesquisadores disseram que os fósseis da região lombar recentemente estudados eram um elo perdido que provou que os primeiros hominídeos usavam seus membros superiores para escalar como macacos e seus membros inferiores para andar como humanos.

Os fósseis foram descobertos pela primeira vez em 2015, durante as escavações de uma trilha de mineração ao lado de Malapa, Patrimônio Mundial Berço da Humanidade, perto de Joanesburgo.

Australopithecus sediba era capaz de usar seus membros superiores para escalar e balançar como macacos / University of Witwatersrano

Então, eles foram virtualmente preparados, para evitar o risco de danos, e reunidos com outros fósseis encontrados previamente – que encaixam com a espinha do esqueleto fóssil. Eles são parte das espécimes originais de Australopithecus sediba relatados pela primeira vez em 2010..

A descoberta também estabeleceu que, como os humanos, o sediba tinha apenas cinco vértebras lombares.

A excelente preservação de Issa ajudou a mostrar que a curvatura da coluna do sediba era mais extrema do que qualquer outro Australopithecus já descoberto – esse tipo de curvatura da coluna é tipicamente visto em humanos modernos e demonstra fortes adaptações ao bipedalismo.

“Embora a presença de lordose (a curva interna da coluna lombar) e outras características da coluna representem adaptações claras para andar sobre duas pernas, há outras características, como os processos transversos grandes e orientados para cima, que sugerem uma poderosa musculatura do tronco, talvez para comportamentos arbóreos “, disse a professora Gabrielle Russo, da Stony Brook University, outra autora do estudo.

Os comportamentos arbóreos referem-se a escalar e viver em árvores.

Silhueta do Australopithecus sediba mostrando as vértebras recém-encontradas junto com outros restos de esqueletos da espécie / University of Witwatersrano

“A coluna vertebral une tudo isso”, acrescentou o autor do estudo, o professor Thomas Cody Prang, da Texas A&M University, que estuda como os hominídeos antigos caminhavam e escalavam. “De que maneira essas combinações de características persistiram em nossos ancestrais, incluindo possíveis adaptações tanto para andar no chão sobre duas pernas quanto para escalar árvores com eficácia, é talvez uma das principais questões pendentes nas origens humanas.”

O estudo concluiu que o Australopithecus sediba era uma forma de transição de um antigo parente humano, e sua coluna é claramente intermediária em forma entre as dos humanos modernos e dos grandes macacos – o que significa que a espécie teria possuído traços tanto humanos quanto macacos em seus movimentos.

O estudo foi publicado terça-feira (23) na revista e-Life.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.

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