Pesquisa sugere que mutações genéticas podem não ser completamente aleatórias

As mutações podem acontecer, por exemplo, quando algum fator provoca a quebra do DNA e ele não é reparado

Braňo/Unsplash

Amanda Andradecolaboração para a CNN

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Um estudo publicado nesta quarta-feira (12) na revista Nature sugere que mutações do DNA podem não ser totalmente aleatórias — uma proposição contrária a uma das que foram estabelecidas na teoria da evolução.

A pesquisa envolveu um trabalho de três anos de sequenciamento genético de centenas de herbáceas da espécie Arabidopsis thaliana, comumente utilizadas em estudos científicos por terem um genoma relativamente pequeno.

Os cientistas cultivaram as plantas em um laboratório controlado, que garantia condições de sobrevivência a plantas com diversas mutações. Estas podem ser definidas como mudanças que acontecem no material genético (DNA ou RNA) de um organismo.

As mutações podem acontecer, por exemplo, quando algum fator provoca a quebra do DNA e ele não é reparado de maneira correta. A comunidade científica acreditava, até agora, que essas mutações acontecem aleatoriamente, sem o objetivo de beneficiar (ou prejudicar) o organismo de alguma maneira.

O sequenciamento genético dos espécimes de Arabidopsis thaliana analisados no estudo revelou mais de um milhão de mutações.

Os pesquisadores, então, puderam identificar nelas um padrão não aleatório: alguns fragmentos do genoma apresentaram baixa taxa de mutação. Nessas seções, eles encontraram uma alta proporção dos chamados genes essenciais, como aqueles envolvidos no crescimento celular e na expressão genética.

“Essas são regiões realmente importantes no genoma. As áreas com maior importância biológica são as que foram protegidas de mutação”, afirma Grey Monroe, professor assistente na Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa. “Sempre pensamos que a mutação era basicamente aleatória ao longo do genoma. Acontece que a mutação é não aleatória e acontece de uma maneira que beneficia a planta.”

Os pesquisadores também identificaram que a maneira como o DNA estava enrolado ao redor de diferentes tipos de proteína poderia ser um fator indicativo da possibilidade de aquele gene sofrer ou não mutação.

“Isso significa que podemos prever quais genes têm maior probabilidade de mutação do que outros”, diz Detlef Weigel, coautor da pesquisa e diretor científico do Instituto Max Planck, na Alemanha.

De acordo com os cientistas, a descoberta pode ser útil em pesquisas futuras relacionadas ao estudo das variações genéticas aplicado a melhorias na agricultura. A informação também pode ser utilizada, segundo os autores, em pesquisas de novos tratamentos para doenças causadas por mutações genéticas, como o câncer.

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