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    Um terço dos planetas mais comuns da galáxia pode estar em zona habitável

    Astrônomos da Universidade da Flórida investigam as características de exoplanetas que estão em torno de estrelas menores e mais frias que o nosso Sol

    Foram utilizados dados do telescópio Kepler, da agência espacial norte-americana, a Nasa, e do telescópio Gaia
    Foram utilizados dados do telescópio Kepler, da agência espacial norte-americana, a Nasa, e do telescópio Gaia Harvard-Smithsonian, Center for Astrophysics/D. A. Aguilar

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    Um terço dos planetas que orbitam as estrelas mais comuns da galáxia pode estar em uma distância suficiente para a existência de água líquida, um dos critérios associados ao abrigo de vida.

    Os dados são de um novo estudo conduzido por astrônomos da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

    Os pesquisadores investigam as características de exoplanetas que estão em torno de estrelas menores e mais frias que o nosso Sol. Estima-se que o restante dos planetas provavelmente apresentam cenários inóspitos para a existência de vida.

    A estudante de doutorado da universidade Sheila Sagear afirma que os resultados apresentam novos caminhos para a pesquisa de planetas que se encontram fora do sistema solar. “Essas estrelas são alvos excelentes para procurar pequenos planetas em uma órbita onde é concebível que a água seja líquida e, portanto, o planeta possa ser habitável”, afirma Sheila, em comunicado.

    Considerando que as estrelas anãs são mais frias que o nosso Sol, um planeta precisaria estar mais próximo para receber calor suficiente para abrigar água líquida. Contudo, segundo o estudo, as órbitas próximas deixam os planetas suscetíveis a forças de maré extremas causadas pelo efeito gravitacional da estrela.

    No estudo, os astrônomos estimaram o quão oval é a órbita de uma amostra de mais de 150 planetas em torno das estrelas com tamanho aproximado ao de Júpiter. Segundo a pesquisa, uma órbita excêntrica pode levar a um fenômeno chamado aquecimento das marés. No processo, à medida que o planeta é deformado pelas mudanças das forças gravitacionais da órbita irregular, o atrito leva ao aquecimento. Em pontos extremos, a temperatura seria tão alta que acabaria com as chances de água líquida.

    “É apenas para essas pequenas estrelas que a zona de habitabilidade está próxima o suficiente para que essas forças de maré sejam relevantes”, explicou a professora de astronomia da universidade, Sarah Ballard, em comunicado.

    Dados do Kepler

    Para estimar as órbitas dos planetas em torno das estrelas anãs, as pesquisadoras avaliaram o tempo que eles levavam para se mover pela face das estrelas. Foram utilizados dados do telescópio Kepler, da agência espacial norte-americana, a Nasa, e do telescópio Gaia, que mediu a distância de bilhões de estrelas na galáxia.

    “A distância é realmente a informação-chave que nos faltava antes e que nos permite fazer essa análise agora”, disse Sheila.

    Segundo o estudo, as estrelas com múltiplos planetas eram as mais propensas a ter o tipo de órbita circular que lhes permite reter água líquida. Já estrelas com apenas um planeta eram as mais propensas a ver extremos de maré que esterilizariam a superfície.

    As pesquisadoras avaliam que a descoberta de que um terço dos planetas na pequena amostra tinha órbitas suaves o suficiente para potencialmente hospedar água líquida, isso provavelmente significa que a Via-Láctea tenha centenas de milhões de alvos promissores para investigação de sinais de vida fora do nosso sistema solar.