A Tal da castanha lidera mercado de bebidas vegetais no brasil
Empresa cresce 25% ao ano e impulsiona categoria com produtos à base de caju e foco em saúde e sustentabilidade

O mercado de bebidas vegetais vive um novo momento no Brasil, impulsionado por consumidores que buscam produtos mais saudáveis, funcionais e com ingredientes naturais. Nesse cenário, a marca A Tal da Castanha, da Positive Company, consolidou-se como líder nacional da categoria apostando em produtos à base de castanha de caju e em uma cadeia de fornecimento formada majoritariamente por agricultores familiares do Nordeste.
A empresa surgiu a partir de um negócio familiar ligado ao beneficiamento de castanha de caju, atividade desenvolvida há mais de 30 anos pela família Carvalho.
“Em 2013, começamos a pesquisar o mercado de bebidas vegetais e vimos um crescimento muito forte nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Entendemos que poderíamos desenvolver algo semelhante usando castanha de caju, que é um ingrediente brasileiro”, afirmou Felipe Carvalho, fundador e co-CEO da Positive Company, em entrevista à CNN Agro.
O primeiro produto tinha apenas dois ingredientes: castanha de caju e água. Segundo o executivo, o objetivo era criar uma bebida com perfil “clean label”, sem aditivos e com maior densidade nutricional.
Crescimento acima do mercado
Atualmente, a empresa possui cerca de 35 itens no portfólio da marca A Tal da Castanha, incluindo bebidas vegetais, linhas culinárias e produtos proteicos prontos para beber.
Com crescimento entre 20% e 25% ao ano, o desempenho da empresa está acima da média do setor, estimada em cerca de 10% a 12%.
Além das bebidas vegetais tradicionais, a estratégia agora é ampliar as ocasiões de consumo por meio de produtos culinários e itens com maior teor proteico.
“A ideia é expandir as possibilidades de consumo e continuar desenvolvendo categorias ligadas à saudabilidade”, afirmou Carvalho.
A empresa também afirma observar um consumidor mais atento à composição dos alimentos e à origem das matérias-primas.
“O consumidor começou a ler mais os rótulos, entender os ingredientes e buscar marcas alinhadas com saúde e sustentabilidade”, disse.
Flexitarianos impulsionam o mercado
Embora o segmento de bebidas vegetais tenha surgido inicialmente associado a consumidores veganos ou pessoas com restrições ao leite animal, Felipe conta que o principal público hoje é formado pelos chamados “flexitarianos”, consumidores que alternam produtos de origem animal e vegetal na alimentação.
“Cerca de 90% do nosso consumidor é flexitariano. São pessoas que buscam uma alimentação mais equilibrada e incluem bebidas vegetais no dia a dia”, disse Carvalho.
Segundo ele, a consolidação da categoria ocorreu porque as bebidas vegetais conseguiram entregar sabor, saudabilidade e praticidade ao consumidor.
O movimento acompanha uma tendência global de crescimento das bebidas proteicas e produtos plant-based.
Dados da consultoria Mordor Intelligence indicam que o mercado global de bebidas proteicas deve registrar crescimento anual de 8% até o final da década.
O segmento de bebidas funcionais, composto por produtos com proteínas, vitaminas e ingredientes naturais, deve superaro US$ 280 bilhões nos próximos anos.
Castanha de caju é a principal matéria-prima
A principal matéria-prima da empresa continua sendo a castanha de caju. Atualmente, cerca de 95% do fornecimento vem da agricultura familiar nordestina.
A Positive Company afirma trabalhar com mais de 3 mil produtores distribuídos entre Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia.
“Existe um trabalho contínuo de relacionamento e desenvolvimento desses produtores. Isso ajuda a manter a produção no campo e gera renda para as famílias”, afirmou o executivo.
A empresa também investiu na certificação orgânica de parte dos fornecedores para ampliar a oferta de matéria-prima rastreável e sustentável.
Ao todo, a companhia movimenta aproximadamente 3 mil toneladas de castanha de caju por ano.
De olho no mercado internacional
A Tal Castanha já é comercializada em todo o Brasil e iniciou recentemente sua expansão internacional. Atualmente, os produtos são exportados para Austrália e Canadá, "mas temos planos de entrar em mercados como México e Suíça em breve ", diz Felipe.
Segundo ele, as exportações ainda representam cerca de 5% das vendas, mas o potencial de crescimento é elevado devido ao tamanho do mercado global de bebidas vegetais.
A empresa utiliza a marca Plant co nas operações internacionais e aposta em diferenciais ligados à composição natural dos produtos e certificações internacionais de sustentabilidade e qualidade.