Abiec vê oportunidade para carne brasileira nos EUA, mas mantém cautela
Entidade destaca demanda americana aquecida, mas diz que desconto de 25% exigido nos preços ao consumidor limita ganhos para a indústria brasileira
A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) avalia que a ampliação temporária da cota para importação de carne bovina magra pelos Estados Unidos pode abrir uma oportunidade para o Brasil, mas mantém cautela sobre os efeitos da medida para o setor.
Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira (26), a entidade afirmou que o Brasil não será o único país beneficiado pela ampliação da cota e destacou que a exigência de que os produtos sejam comercializados nos Estados Unidos a preços 25% inferiores aos praticados atualmente limita os ganhos imediatos de margem para a indústria.
“A iniciativa pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, embora o Brasil não seja o único país que poderá se beneficiar da ampliação. Além disso, a própria decisão estabelece que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente, o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria”, diz o texto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) um decreto que amplia temporariamente a importação de carne bovina de outros países com tarifa reduzida. A medida começa a valer em 1º de setembro e terá duração de 90 dias.
Nesse período, a cota adicional permitirá a entrada de até 100 mil toneladas de carne bovina por mês, totalizando 300 mil toneladas. O produto deverá ser usado na produção de carne moída nos Estados Unidos.
A decisão ocorre em um momento de oferta apertada no mercado americano. Os Estados Unidos enfrentam um dos menores rebanhos bovinos das últimas décadas e preços elevados da carne.
Em julho, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - em tradução livre) informou que o número de vacas de corte caiu 1% em relação ao ano anterior. A produção de carne bovina do país deve recuar cerca de 4% em 2026, segundo a Casa Branca.
Embora a medida represente uma importante ampliação dos cortes para os EUA, a cota é dividida entre países e a cota deve ser preenchida rapidamente, segundo analistas.
Exportadores brasileiros também apontam que os valores praticados nos EUA são inferiores ao preço brasileiro. Mesmo assim, não deve afastar o apetite pelo mercado para "ganhar escala".
Segundo a Abiec, apesar da notícia, a abertura adicional do mercado americano não substitui a demanda chinesa.
Segundo a associação, os dois mercados têm perfis diferentes e são complementares para a estratégia brasileira de diversificação das exportações de carne bovina.
“A Abiec seguirá acompanhando a implementação da medida e o setor trabalhará para adequar sua produção à demanda americana, aproveitando as oportunidades comerciais que possam surgir”, disse a associação.


