Abiove atualiza projeções e confirma recorde de esmagamento de soja

Setor espera processamento inédito de 62,2 milhões de toneladas

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) atualizou as estatísticas do complexo soja e elevou as projeções para 2026. O balanço desta quinta-feira (16) aponta que o Brasil deve atingir um patamar recorde de esmagamento interno de soja. A conclusão confirma a robustez da safra e a crescente demanda por derivados.

As estimativas para este ano foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior. O processamento de soja no país deve alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%.

Segundo a associação, o avanço na atividade industrial se reflete diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas.

O estoque final de soja foi ajustado, com queda de 28,5%, a 6,7 milhões de toneladas. Para o farelo, o estoque final também foi revisado para cima, a 4,7 milhões de toneladas, uma alta de 4,4% Por outro lado, os estoques finais de óleo se mantêm estáveis, a 836 mil toneladas.

Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, destaca que a atualização dos dados reforça o amadurecimento e a resiliência da indústria brasileira. "O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro", destacou.

O Brasil mantém a liderança global no comércio exterior, com a exportação de soja em grãos projetada em 113,6 milhões de toneladas. No segmento de subprodutos, as estimativas indicam vendas externas de 24,6 milhões de toneladas de farelo e um crescimento de 3,3% nas exportações de óleo de soja, que devem atingir 1,5 milhão de toneladas.

Os dados de fevereiro já confirmam o vigor operacional do setor, com o processamento no segundo mês do ano somando 3,546 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 8,5% em comparação a fevereiro de 2025. No acumulado do ano, o processamento foi de 7,421 milhões de toneladas, aumento de 6,4% quando comparado ao mesmo período do ano passado.