Abrapa vê avanço em MP de dívidas rurais, mas cobra novas medidas

Entidade reconhece trabalho conjunto, mas alerta que recuperação do produtor dependerá de novas ações voltadas ao crédito rural

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A  Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) avaliou como um avanço a Medida Provisória nº 1.376/2026, publicada pelo governo federal para ampliar as alternativas de renegociação das dívidas rurais. Para a entidade, a iniciativa cria condições para aliviar a situação financeira dos produtores, mas não resolve de forma definitiva os problemas de endividamento do setor.

Na avaliação da associação, a medida chega em um momento considerado estratégico, durante o planejamento da safra 2026/27, após anos marcados por perdas provocadas por eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção, elevação das taxas de juros e queda da rentabilidade da atividade agropecuária.

Entre os principais pontos da MP destacados pela Abrapa estão a ampliação dos prazos para renegociação das operações de crédito, a possibilidade de concessão de carência sem exigência de pagamento de entrada, a revisão das garantias dos financiamentos e a criação de instrumentos para fortalecer a gestão de risco do crédito rural, incluindo a futura participação da União em um fundo garantidor para o setor.

A entidade também reconheceu o trabalho conjunto do governo federal, da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e das organizações representativas do agronegócio na construção da proposta.

Apesar da avaliação positiva, a Abrapa afirma que a recuperação financeira dos produtores dependerá de novas políticas estruturantes voltadas ao crédito rural. Segundo a associação, a recomposição da renda do setor tende a ocorrer de forma gradual e continuará condicionada a fatores como clima, preços internacionais das commodities, custos de produção e oferta de financiamento.

Outro ponto ressaltado pela entidade é que a efetividade da medida dependerá da regulamentação da MP e da implementação das novas regras pelas instituições financeiras responsáveis pela operacionalização do programa.

Em nota, o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, afirmou que a medida representa um reconhecimento da necessidade de criar mecanismos para a reestruturação das dívidas rurais, mas destacou que a prioridade agora é garantir uma regulamentação que assegure acesso efetivo dos produtores aos instrumentos previstos e preserve a capacidade produtiva no campo.

A associação informou ainda que acompanhará a tramitação da Medida Provisória no Congresso Nacional e participará das discussões sobre sua regulamentação, mantendo diálogo com os poderes Executivo e Legislativo para aperfeiçoar os mecanismos de renegociação das dívidas rurais.