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Ação da Bayer recua diante de acordo sobre litígio relacionado ao Roundup

Os investidores questionam se um ​acordo proposto de US$7,25 bilhões em processos judiciais relacionados ao herbicida Roundup representaria uma reviravolta decisiva

da Reuters
Ações da Bayer caíram até 9,2% nesta quarta-feira  • 10/11/2022REUTERS/Henry Romero
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As ações da Bayer caíram até 9,2% nesta quarta-feira, apagando ganhos do dia ​anterior, com os investidores questionando se um ​acordo proposto de US$7,25 bilhões em processos judiciais relacionados ao herbicida Roundup representaria uma reviravolta decisiva.

O grupo farmacêutico e de proteção de safras alemão anunciou na terça-feira à noite que havia chegado a um acordo para resolver dezenas de milhares de reclamações atuais e futuras de responsabilidade pelo produto, após anos lutando contra riscos ⁠legais relacionados ao Roundup, adquirido ​na compra da Monsanto em 2018.

O aumento de 7,3% das ações ​na terça-feira foi mais do que revertido por uma queda de mais ⁠de 8%, por volta das 10h45 (horário de ⁠Brasília).

Analistas do JPMorgan afirmaram que o acordo foi na direção ​certa, ‌mas observaram que a Bayer não divulgou quantos demandantes devem aderir ao acordo ⁠para que ele prossiga, e também não ficou claro o quanto eles estariam dispostos a aceitar a oferta.

"Ainda há considerações a serem feitas, como a necessidade de aprovação do ‌tribunal ⁠e a possibilidade ‌de uma alta taxa de recusas", afirmaram.

No final da terça-feira, Markus Manns, gestor de carteiras da Union Investment, também alertou que a proposta "ainda não era o ⁠avanço que muitos investidores esperavam".

Tanto o JPMorgan ⁠quanto Manns afirmaram que muito ainda depende de uma decisão pendente da Suprema Corte dos Estados Unidos ‌sobre o mérito geral das ações judiciais.

A Bayer solicitou ao tribunal que invalidasse as queixas, que se baseiam principalmente na legislação estadual, argumentando que a regulamentação federal a seu favor deveria ter prioridade.

Stephan Wulf, analista da corretora Oddo ‌BHF, alertou que uma série de obstáculos legais deve ser superada para que o acordo entre em vigor, e que a opinião da Suprema Corte ⁠seria uma incerteza adicional.

"Isso ainda não está decidido", disse ele.

Um porta-voz da Bayer disse que o grupo não especularia sobre suas chances de sucesso na Suprema Corte, ​mas encaminhou à Reuters um parecer jurídico do procurador-geral dos Estados Unidos em dezembro, ​que mostrava que o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação da Bayer sobre a lei em questão.

(Reportagem de Ludwig Burger, Patricia Weiss em Frankfurt e Tristan Veyet em Gdansk; reportagem ‌adicional de Sanne Schimanski)