Açúcar está perto do equilíbrio, mas dependerá do consumo de etanol

Copersucar prevê que todas as suas usinas usem biometano

Por Roberto Samora, da Reuters
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O balanço global de açúcar está "mais ou menos equilibrado" e ​os preços do adoçante dependerão muito do ​consumo de etanol no Brasil na safra 2026/27, já que uma maior fabricação do biocombustível pode reduzir a oferta de matéria-prima para o alimento, afirmou nesta quarta-feira o presidente-executivo da Copersucar, Tomás Manzano, à Reuters.

"O açúcar está operando em intervalo de preços de 14 a 15 centavos (de dólar por libra-peso na ⁠bolsa de Nova York), em ​cenário de equilíbrio. (O preço) vai depender muito do tamanho da safra ​brasileira, é um número incerto. Mas nossas estimativas atuais indicam que o ⁠balanço está mais ou menos equilibrado, ⁠vai depender da reação do consumidor de etanol e do 'mix' ​de ‌produção das usinas, e do tamanho da safra", afirmou ele.

O comentário foi feito ⁠antes do início de evento no terminal açucareiro de Santos da empresa, líder global na comercialização de açúcar e etanol, que apresentou planos da Copersucar para o ‌uso ⁠do combustível biometano ‌no transporte de açúcar até o porto, em substituição ao diesel nos caminhões.

O executivo afirmou que a tendência é de crescimento da safra de cana-de-açúcar do ⁠centro-sul 2026/27 ante o ciclo anterior, acrescentando ⁠que o mercado converge para a visão de que colheita possa atingir cerca de 630 ‌milhões de toneladas. Ele não comentou sobre a previsão da empresa.

"Ainda é muito cedo, a safra começou agora, faz um mês, ainda tem muito tempo pela frente, está indo bem, e as usinas têm priorizado neste início um ‌pouco mais de produção de etanol, que está remunerando melhor do que o açúcar", disse.

Segundo ele, o cenário aponta para maior competitividade do etanol ⁠frente à gasolina no Brasil, em meio ao aumento da produção do biocombustível no país e preços do petróleo em patamares elevados devido à guerra no ​Irã.

"Com essa queda de preço, a competitividade do etanol em relação à gasolina ​melhora, e atrai consumidores para abastecer com etanol, é um movimento saudável e bom neste momento que o etanol vai se tornando mais competitivo e vai aumentando a demanda", completou.

Biometano nas usinas

A Copersucar também apresentou o BioRota, projeto ​logístico que utiliza o combustível renovável biometano em caminhões que ​transportam açúcar, e que deverá ser escalável para todas as 42 usinas associadas da empresa nos próximos anos.

O sistema já é usado no transporte de açúcar de algumas usinas do interior de São Paulo para os terminais de exportação no porto de Santos, reduzindo custos e emissões de gases de efeito estufa em até 90% em relação ao diesel, antes consumido pelos caminhões.

O biometano é um combustível gasoso produzido a partir da purificação ⁠do biogás gerado por resíduos da cana-de-açúcar, ​como a vinhaça, no caso do projeto da empresa, que projeta também que todas as ​suas usinas associadas devam fabricar o produto em um período de dez anos.

A Copersucar, que vendeu 15,6 milhões ⁠de toneladas de açúcar e de 19,1 bilhões de ⁠litros de etanol na safra 2024/25, afirmou ainda que o biometano também "se destaca pela ​competitividade ‌econômica frente ao combustível fóssil", em momento em que as empresas lidam com a alta de custos advinda ⁠da disparada dos preços do petróleo.

O biometano pode ser utilizado também pelos demais setores que utilizam frotas pesadas, além de carros leves e outros processos produtivos industriais.

"É uma solução escalável e economicamente viável, que acelera a descarbonização do transporte ‌pesado ⁠e reforça o papel ‌do Brasil na transição energética global", disse o presidente-executivo da Copersucar, Tomás Manzano.

O BioRota já conta com mais de 70 caminhões a biometano.

A Copersucar anunciou nesta quarta-feira que, entre abril de 2024 e março de 2026, realizou ⁠mais de 13 mil viagens com caminhões utilizando biometano, percorrendo ⁠11 milhões de km, transportando cerca de 600 mil toneladas de açúcar até o porto de Santos.

No período, a iniciativa evitou a ‌emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ ao substituir cerca de 5 milhões de litros de diesel por biometano -- equivalente ao carbono capturado por 380 mil árvores em um ano, segundo a empresa.

A BioRota teve início a partir de uma parceria da Copersucar com a transportadora Reiter, pioneira em frotas de caminhões ‌movidos a gás, e hoje já conta com mais quatro transportadoras, que fazem o abastecimento de biometano nas duas unidades de produção da usina Cocal.

A planta de biometano localizada em Narandiba (SP) possui capacidade de ⁠produção de até 25 mil m3/dia e a de Paraguaçu Paulista (SP) conta com capacidade de produção de até 60 mil m3/dia do gás renovável durante a safra.

"A Copersucar projeta que, nos próximos anos, todas as usinas associadas passem ​a produzir e utilizar biometano em suas operações", afirmou a empresa.

Estudo realizado pela Copersucar aponta que a produção nacional ​de biometano deve mais do que triplicar até 2027, passando dos atuais 656 mil m³/dia para 2,3 milhões de m³/dia, sendo importante para ajudar o país a reduzir a sua dependência de importações de diesel --mais de 20% desse combustível fóssil consumido no Brasil é importado.