Algodão recua 2,79% em Nova York após forte alta em agosto
Mercado passou por forte volatilidade nas últimas semanas, com preços sendo impulsionados principalmente pelas preocupações com produção nos Estados Unidos

O algodão fechou em forte queda nesta quinta-feira (3) na Bolsa de Nova York, em um movimento de correção após a valorização expressiva registrada ao longo de agosto. O contrato com vencimento em dezembro recuou 2,79%, para 86,45 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo o consultor independente Pery Passotti Pedro, o mercado passou por forte volatilidade nas últimas semanas, com os preços sendo impulsionados principalmente pelas preocupações com a produção nos Estados Unidos e pelas condições climáticas adversas na China.
Durante agosto, os contratos chegaram a superar os 90 centavos de dólar por libra-peso. A alta foi sustentada pelo temor de perdas na safra americana em razão da seca e das temperaturas elevadas no Texas, principal estado produtor de algodão dos Estados Unidos, além dos problemas climáticos registrados em Xinjiang, principal região produtora da China.
A partir do fim de agosto, porém, o mercado começou a devolver parte dos ganhos acumulados. Para Passotti Pedro, a queda dos últimos dias está mais relacionada à realização de lucros depois de uma alta considerada muito rápida do que a uma mudança nos fundamentos do mercado.
Nos Estados Unidos, a atenção permanece concentrada nas condições das lavouras. A seca e o calor afetaram principalmente o Texas, aumentando as dúvidas sobre produtividade e abandono de área. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já reduziu a estimativa de produtividade americana, mas a deterioração das condições das plantações ao longo de agosto mantém no radar a possibilidade de novos cortes na produção.
Na China, o cenário climático também segue como ponto de atenção. Xinjiang, responsável pela maior parte da produção chinesa de algodão, enfrentou períodos de calor extremo e falta de chuvas durante fases importantes do desenvolvimento da cultura.
"Ainda não há uma estimativa oficial de perdas na produção chinesa. A definição do tamanho da safra será importante para determinar a necessidade de importações do país nos próximos meses e, consequentemente, para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional", informou o consultor.
O consultor avalia que as próximas semanas devem ser importantes para determinar se a alta observada em agosto foi apenas uma reação exagerada às preocupações climáticas ou se os problemas nas principais regiões produtoras vão resultar, de fato, em uma oferta mundial de algodão mais apertada.
Cacau
O cacau fechou em queda pela terceira sessão consecutiva na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro recuou 1,58% e encerrou o pregão negociado a US$ 6.174 por tonelada.
De acordo com o Barchart, a sequência de baixas ocorre em meio aos sinais de oferta mais ampla no mercado global. Na quarta-feira, a Barry Callebaut AG, maior processadora de cacau do mundo, afirmou que o mercado está bem abastecido e mais preparado para lidar com riscos do que durante o El Niño de 2023/24, quando as preocupações com a oferta levaram os preços a níveis recordes.
Também na quarta-feira, o órgão regulador do cacau da Costa do Marfim, Le Conseil du Café Cacao, informou que o país colheu 2,06 milhões de toneladas entre junho de 2025 e junho de 2026, alta de 30% em relação às 1,58 milhão de toneladas registradas no ciclo anterior.
Com relação aos estoques certificados na bolsa, as reservas atingiram 3.411.776 sacas na terça-feira, o maior nível em dois anos, reforçando a percepção de maior disponibilidade do produto e pressionando as cotações.
Café
O café ampliou nesta sessão a sequência de perdas em Nova York, pressionado pela perspectiva de aumento da oferta brasileira e pelo avanço das exportações do Vietnã. O contrato de arábica com vencimento em dezembro recuou 0,92% e encerrou o pregão a US$ 2,95 por libra-peso.
O Barchart apontou que o mercado vem registrando quedas há uma semana, levando o café arábica à menor cotação em um mês e o robusta ao menor nível em três meses. A perspectiva de uma safra brasileira maior tem aumentado a expectativa de oferta no mercado internacional e contribuído para a pressão sobre os preços.
No Brasil, a disponibilidade de espaço para armazenagem também começa a influenciar as perspectivas de comercialização. A maioria dos armazéns já não estaria aceitando novos carregamentos, diante da redução da capacidade disponível. O cenário pode levar produtores que vinham postergando as vendas à espera de preços mais elevados a aumentar a oferta no mercado.
No Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, o avanço das exportações também adiciona pressão às cotações. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, os embarques de café entre janeiro e agosto de 2026 somaram 1,33 milhão de toneladas, alta de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Suco de Laranja
O contrato futuro de suco de laranja concentrado e congelado para entrega em novembro fechou o pregão com alta de 4,25% na Bolsa de Nova York. A cotação terminou em US$ 1,55 por libra-peso.
Açúcar
O açúcar registrou forte queda neste pregão, pressionado pela expectativa de que a Índia precise importar menos açúcar do que o mercado projetava inicialmente. O contrato com vencimento em outubro recuou 3,37% e fechou cotado a 18,07 centavos de dólar por libra-peso.
O Barchart apontou que a pressão sobre as cotações ganhou força após o governo indiano reduzir de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para os revendedores de açúcar. A regra entra em vigor em 15 de setembro e permanece até 20 de novembro, com o objetivo de conter a especulação e ampliar a disponibilidade do produto no mercado doméstico.
A medida pode colocar mais açúcar em circulação na Índia e, consequentemente, reduzir a necessidade de importações pelo país. A perspectiva alimentou a liquidação de posições compradas nos contratos futuros e aumentou a pressão sobre os preços.
O movimento também pode ser amplificado pela posição elevada dos fundos no mercado. Dados semanais do Commitment of Traders, divulgados na última sexta-feira, mostraram que os fundos ampliaram em 2.830 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar branco negociado em Londres na semana encerrada em 25 de agosto.


