Após disparada, feijão começa a ficar mais barato nos supermercados

Queda nas lavouras foi muito mais intensa do que a observada nas gôndolas; setor acredita que agosto pode acelerar repasse ao consumidor

Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo
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Depois de figurar entre os principais responsáveis pela alta dos alimentos no primeiro semestre, o feijão começa a dar sinais de alívio ao consumidor. Os preços da leguminosa já recuaram nas prateleiras em julho, mas a redução ainda está longe de acompanhar a queda registrada nas regiões produtoras.

O movimento ocorre pouco mais de um mês após o feijão liderar a inflação do varejo alimentar no país. Levantamento da Neogrid mostrou que, em junho, o produto teve alta média de 8% em relação a maio, passando de R$ 8,05 para R$ 8,70 por quilo. A valorização foi impulsionada principalmente pela quebra da segunda safra provocada por problemas climáticos e pela redução da área plantada.

Agora, um relatório divulgado pelo Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas) mostra uma mudança de cenário. Durante julho, o preço do feijão-carioca caiu rapidamente nas principais regiões produtoras.

Em Minas Gerais e Goiás, a saca, que poucas semanas antes era negociada acima de R$ 300, passou a ser comercializada próxima de R$ 280, com negócios em valores ainda menores sendo registrados nos últimos dias.

A queda, no entanto, chegou ao consumidor em ritmo mais lento.

Levantamento do Ibrafe mostra que, na cidade de São Paulo, o preço médio do feijão-carioca de um quilo caiu de R$ 10,09 em junho para R$ 9,50 em julho, redução de 5,85%. O feijão-preto recuou 1,56%, passando de R$ 10,25 para R$ 10,09.

Em Recife, a queda foi mais expressiva. O feijão-carioca passou de R$ 8,89 para R$ 8,19 por quilo, redução de 7,87%, enquanto o feijão-preto caiu 3,67%.

Na Grande Belo Horizonte, o feijão-carioca também apareceu entre os produtos que mais baratearam no mês, com recuo médio de 3,21%.

Segundo o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, a diferença entre a velocidade da queda no campo e no varejo é natural, já que há uma série de custos e etapas entre a produção e a venda ao consumidor. "Entre a lavoura e o supermercado existem estoques adquiridos anteriormente, beneficiamento, embalagem, transporte, impostos, distribuição e margens. Portanto, é natural que exista alguma defasagem."

Apesar disso, o instituto defende que o mercado acompanhe mais de perto a velocidade desse repasse. "Quando o feijão sobe na lavoura, imediatamente surge a preocupação com o que acontecerá na gôndola. Quando cai, precisamos observar, com a mesma atenção, quanto dessa redução realmente chega ao consumidor."

A avaliação do Ibrafe é que, se a saca permanecer próxima dos atuais patamares ou recuar para cerca de R$ 250 ao longo de agosto, haverá espaço para uma redução mais significativa nos supermercados, o que poderá estimular novamente o consumo da leguminosa.

A entidade destaca que a queda dos preços na produção só será positiva para toda a cadeia se parte relevante dessa redução chegar efetivamente ao consumidor final.

Feijão ainda acumula forte alta no ano

Apesar da recente melhora, o feijão continua entre os alimentos que mais subiram de preço em 2026. Segundo a Neogrid, entre dezembro de 2025 e junho deste ano, o produto acumulou valorização de 36,7% no varejo brasileiro, ficando atrás apenas dos legumes, que registraram alta de 50,2% no período.

Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, a forte oscilação dos preços reflete a sensibilidade dessas categorias às condições climáticas e reforça a necessidade de uma gestão mais eficiente dos estoques e da reposição pelos supermercados.

Na avaliação da empresa, o comportamento dos preços do feijão continuará sendo um dos principais indicadores da inflação dos alimentos ao longo do segundo semestre.

Outros alimentos ainda pressionam o orçamento

Embora o feijão comece a perder força como vetor de inflação, outros produtos seguem pressionando o bolso do consumidor. Em junho, os legumes registraram alta média de 4,2% no país, com o preço médio passando de R$ 7,93 para R$ 8,26 por quilo. Na região Norte, o aumento chegou a 11,3%.

No acumulado do ano, os legumes lideram a inflação entre os alimentos, com valorização de 50,2%. Também permanecem em alta o leite UHT, que acumula aumento de 23,1%, a carne bovina, com alta de 6,5%, e a farinha de mandioca, que subiu 5%.

Por outro lado, alguns produtos já começaram a aliviar o orçamento das famílias. O café em pó e em grãos recuou 3,2% em junho, enquanto o açúcar caiu 2,8%. Também registraram redução de preços os ovos (-1,8%) e o óleo de cozinha (-1,7%).