Após recorde, produção de azeite deve cair em 2027, aponta Ibraoliva

Entidade prevê safra menor diante da expectativa de chuvas na primavera gaúcha e defende mais tecnologia para reduzir oscilações na produção

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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Após alcançar uma produção recorde de azeite de oliva em 2026, a olivicultura brasileira deve enfrentar uma safra menor no próximo ano. A avaliação é do Ibraoliva (Instituto Brasileiro de Olivicultura), que apresentou nesta segunda-feira (31), durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), um panorama do setor e dos desafios para 2027.

Segundo a entidade, a expectativa de maior volume de chuvas durante a primavera no Rio Grande do Sul deve afetar a próxima colheita. O estado é o principal polo produtor do país e respondeu por 81% da produção nacional em 2026.

O cenário contrasta com o desempenho excepcional deste ano. A produção brasileira de azeite extravirgem atingiu 1,4 milhão de litros em 2026, superando amplamente os 240,3 mil litros registrados no ano anterior e o recorde anterior, de 640,2 mil litros, obtido em 2023.

Para o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o desafio agora é reduzir a forte oscilação entre as safras. “Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas”, afirmou.

Tecnologia ganha espaço

O desempenho de 2026 ocorreu após duas safras prejudicadas pelo excesso de chuvas. Para o Ibraoliva, a recuperação mostra que o aumento da produtividade não depende apenas da expansão da área plantada.

A evolução do manejo dos olivais, a adaptação dos produtores às condições climáticas e o aprimoramento das etapas de colheita e processamento também contribuíram para o resultado.

O Brasil possui atualmente cerca de 10,3 mil hectares de oliveiras, distribuídos por oito Estados. A cadeia reúne mais de 620 produtores e 77 lagares, unidades responsáveis pelo processamento das azeitonas e extração do azeite, em aproximadamente 280 municípios.

O Rio Grande do Sul concentra cerca de 7,1 mil hectares, o equivalente a 69% da área nacional, além de 390 olivicultores distribuídos por cerca de 120 municípios.

Entre os principais polos gaúchos estão Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul. Segundo o Ibraoliva, essas regiões concentram parte relevante da infraestrutura de processamento e vêm incorporando novas tecnologias à atividade.

A Serra da Mantiqueira, que engloba áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, aparece como o segundo principal polo nacional. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo são considerados pelo instituto regiões com potencial para ampliar o cultivo e a produção.

Setor quer ampliar competitividade

Além da produtividade, o Ibraoliva defende medidas para aumentar a competitividade do azeite brasileiro. A entidade pretende ampliar ações de divulgação do consumo do produto nacional e estimular a venda cooperativada entre marcas.

A estratégia, segundo Obino, busca aumentar a escala de comercialização e fortalecer a posição do azeite brasileiro diante dos produtos importados.

O instituto também afirmou que continuará acompanhando a fiscalização de azeites importados pelo Ministério da Agricultura. Em agosto, laudos apontaram que algumas marcas estrangeiras comercializadas como extravirgem não atendiam aos padrões exigidos para a categoria.

Em março de 2025, o governo brasileiro zerou a alíquota de importação para o azeite extravirgem, enquanto manteve em 9% a tarifa para o azeite classificado como virgem. Para o setor, o avanço da produção nacional cria uma oportunidade para ampliar o reconhecimento do produto brasileiro e agregar valor à cadeia.

O recorde de 2026, portanto, deve ser seguido por um movimento diferente em 2027. Ao invés de buscar apenas o crescimento do volume produzido, o setor pretende investir em tecnologia, pesquisa e organização para tornar as safras mais previsíveis e reduzir os efeitos das condições climáticas sobre a produção.